segunda-feira, 20 de julho de 2009

Comemorando Apollo 11: Luís Filipe Silva



A Verdade Sobre a Ida à Lua


por Luís Filipe Silva


1.º Exercício de escrita: três astronautas embarcam na primeira viagem à Lua da espécie humana. Descreva a viagem sem se referir aos astronautas, à Lua nem às circunstâncias do evento.

Nunca o iriam deixar em paz.

Passos nervosos no asfalto que conhecia tão bem. Ele a apressar o movimento da chave entre bolso e porta, a atirar os livros para o assento do lado, a bater com os joelhos na dureza do encaixe do volante.

Sr. Collins, sr. Collins!

A forçar o pequeno Fiat a um acordar doloroso.

Sr. Collins, queremos falar consigo!

Subitamente a mão contra a janela subida, a bater, a implorar.

(Ocorre-lhe fugazmente a mão desesperada de Gus contra uma outra janela, reproduzida em ficções televisivas.)

Apenas duas palavras, sr. Collins, é só o que lhe peço.

O velho Quattrocento a reagir no último momento e ele a pisar com força o pedal, quase derrubando a mulher contra o cameraman.

Sair daquele sítio, fugir daquele instante, regressar ao universo que edificara em torno da vida.

Ficar na Terra.

***

Conspiraram para o cercar. Percorre os telejornais da televisão por cabo. São dezenas e ainda assim, quase em uníssono, apresentam as mesmas, antigas imagens. Desliga o aparelho, nem lhe apetece ver um outro canal. Os apresentadores e os jornalistas são jovens de mais para terem presenciado em directo – o que os move é, sabe-o bem, uma natural curiosidade mórbida acerca de um grande mistério esquecido.

Isto não é o mesmo que entrar no túmulo de um faraó morto há milhares de anos, diria às câmaras, há que respeitar a memória das famílias.

Mas não vai dizer nada. O que disser apenas lhe trará problemas. Tem uma vida calma, um emprego seguro. Não se encontra na idade dos heroísmos. Ficará sentado a aguardar que a ventania passe. Como um rochedo. Um rochedo humilde, que não se desprende da Terra. Um rochedo sem pretenções aos Céus.

***

As caras espantadas. Os olhos arregalados. Pousa a pasta com cuidado sobre a mesa. O coração bate apressado.

Bom dia, turma.

Eles entreolham-se. Uma mensagem invisível passa entre as mentes quase adultas.

Aquele Collins de que falam na TV é seu pai, avança a provocadora Susy.

Ele sente o ressurgir de uma dor muito antiga.

Isso não tem interesse. Vamos começar a aula?

São apanhados de surpresa pela veemência. Bem, ele também, na verdade. Começa a rabiscar no quadro branco. Assim, de costas para a audiência, recuperando o controlo. Ou tentando. Pede-lhes que leiam os trabalhos de casa. Ficar calado, sentado na cadeira, deixando a hora passar. A ventania passar.

O tema não ajuda. Homero e heróis e nobres feitos.

Ainda quando um soldado luta duramente, tal dureza é sentida pelo que ficou para trás, e igual honra cobre o cobarde e o bravo; o homem que nada fez e aquele que tudo cumpriu acolhem a mesma morte.

É como se tivessem apontado um holofote contra o seu assento de professor. Quente e incómodo e que lhe fere a vista.

Ouve murmurinho ao fundo da sala. Alguns olhares desconfiados, acusadores.

Só mais trinta minutos.

Entre os homens imbuídos de honra são em maior número os que sobrevivem que os que tombam em batalha, mas os que fogem não são dignos, nem de glória nem da minha ajuda.

E em que contexto é que Homero faz essa afirmação, John?

Vê a lança antes da a sentir. Vê-a no semblante do rapaz.

Os troianos eram heróis, professor, que não se deixavam assustar pela dureza da missão nem condenavam os companheiros a uma morte certa.

Eram outros o rosto e a voz, mas poderiam ser as mesmas palavras. Era Bruce, novamente.

Fica atordoado durante alguns segundos, a turma a aguardar a explosão. Mas limita-se a levantar e ir-se embora.

***

Sr Collins?

Não foge, desta vez. Não tem forças para tal.

Ela refreia-se um pouco ao notar as lágrimas.

Podemos falar? Só nós os dois?

Não é ninguém que conheça. Ninguém que lhe tenha aparecido anteriormente. Pelo menos não trouxe câmaras consigo. Isso baixa-lhe a guarda.

O que é que vocês querem? Porque é que não me deixam em paz? Não tenho nada de novo para dizer. Esqueçam de uma vez por todas o assunto. Não faço ideia do que lhe ia pela cabeça, tinha apenas oito anos.

Sr. Collins...

Imagina o que tem sido para mim viver com esta história? Ser o filho de alguém que estragou o precioso sonho americano?

Sr. Collins...

Tinha oito anos. Não pude voltar à escola. Passei todo o liceu com professores particulares. Tive de inscrever-me na faculdade com o apelido da minha mãe. Consegue imaginar como foi a minha infância?

Ela pousa uma mão sobre o braço dele. É bastante meiga e fala docemente. Ele pára de berrar.

Ninguém consegue imaginar, sr. Collins. É por isso que quero falar consigo. É a sua história que quero contar, não a do seu pai.

Ele não esperava esta resposta. Fica ali, a soluçar de pingo no nariz sobre as rugas, qual criança centenária.

Estou a fazer uma reportagem sobre vocês. Sobre os descendentes. Vou falar com Bruce e Chuck mas queria começar por si. Jerry. O que nunca deu a cara. O que ninguém conhece.

Nunca um membro da imprensa lhe tinha dirigido outro olhar que não o do desprezo e acusação, mas ela sorri.

Aceita?


2.º Exercício de Escrita: um homem revisita o passado doloroso perante uma estranha. Descreva a situação do ponto de vista do observador que está do outro lado do vidro, desconhecedor deste passado, da identidade dos intervenientes e impossibilitado de escutar a conversa.

A mulher chega sozinha. Enverga um casaco de algodão sobre uma t-shirt branca que ostenta o pregão de uma cimeira internacional sobre a fome, uma saia de folhos de cor azulada e umas sandálias pretas. Tem as unhas das mãos e dos pés pintadas de roxo quase negro, um ligeiro toque de base nas faces e o cabelo curto e encaracolado. Sob o braço direito transporta uma pasta. Quando se sentar na cozinha junto do homem, retirará desta um bloco de apontamentos, um lápis e um gravador áudio digital. Mais tarde, no decorrer da entrevista, irá descobrindo aos poucos fotografias, recortes de imprensa, revistas. O homem tomará cada um dos objectos para os apreciar, como se fossem chaves para despertar memórias. Irá demorar-se mais a cada um deles, e no fim não será capaz de os manusear sem expor comoção. A última imagem é de um rosto de jornal integralmente preenchido por uma fotografia a preto e branco. Ilustra um possível centro de engenharia, pois vêem-se paredes brancas com sinalização orientadora e avisos; vários homens de meia idade, com camisas brancas de meia manga e gravatas escuras, observam a cena: dois seguranças contêm uma senhora, de boa aparência, que, assolada por uma raiva incontida, tenta pontapear uma outra mulher, de joelhos no chão e mãos a tapar o rosto; um rapazinho tenta interpôr-se entre as duas mulheres, em nítida protecção da que está caída.

O homem detém-se bastante tempo neste último item. Não fala. Começa silenciosamente a chorar.

Por sua vez, o homem, durante a conversa, apresenta as suas evidências. Vai buscar livros e gravações. Senta-se com ela a ver vídeos – em que homens vestidos de astronautas mergulham em piscinas, volteiam em câmaras centrífugas, falam para as câmaras. Um homem destaca-se sempre nestas imagens, de aspecto já não jovem mas ainda não chegado à meia-idade. Mostra-se reservado quando o filmam, talvez vítima de desconforto perante o escrutínio público. Os companheiros são mais descontraídos e parecem incitá-lo por arrastamento. O homem gesticula bastante e fala de forma animada enquanto os vídeos passam.

Numa outra tarde, pois a conversa não finaliza no primeiro encontro, serão outros os vídeos. O homem não estará tão efusivo, e vai tragando vagarosamente vários copos de bourbon enquanto fala, prostrado de forma muito quieta no seu canto do sofá. A mulher mostra-se desconfortável a partir de certo ponto e acaba por sair apressadamente antes de os vídeos terminarem. O homem mal a nota partir. Mantém-se sentado, a encarar o ecrã, no qual passam cenas atrás de cenas de momentos familiares entre um casal e três crianças de distintas idades – cenas em praias, em montanhas, em parques temáticos, no quintal, em casa. O homem acaba por adormecer com a televisão ligada e o copo tombado, o líquido a manchar o tapete.

As outras tardes foram melhores. Tinha tirado fotografias da parede, aberto baús empoeirados. Medalhas e cartas de mérito empoeiradas foram expostas, brinquedos com o formato de cápsulas espaciais, conjuntos de montar com imagens da superfície da Lua. Um gráfico detalhando as etapas da viagem. Mas estas tinham sido as primeiras tardes. Quando a mulher regressou, trazia uma câmara e um técnico. Montaram um pequeno estúdio, o homem penteou o seu próprio cabelo. Conversaram durante duas horas e meia, com duas interrupções durante as quais o técnico ajeitou o holofote e o homem esvaziou cinco garrafas pequenas de água à vista da mulher.

Depois tinha terminado. Ela despediu-se com um aperto de mão profissional, mas no fim pareceu ter mudado de ideias e cobriu este aperto com a mão livre. Disse-lhe algo muito suavemente, olhando-o nos olhos.

Ele anuiu, sem proferir palavra. Parecia muito cansado.


3.º Exercício de Escrita: uma conversa telefónica entre duas pessoas, que abordam um tema doloroso do passado. Deverá tornar-se evidente, durante a conversa, que os motivos aparentes escondem outros mais profundos, e que a redenção não se alcança sem custo. Contudo, não devemos ter acesso às reacções emocionais, aos pensamentos nem a outra informação que não seja expressa, unicamente, pelos diálogos trocados.

- Jerry? Jerry Collins?

- O próprio. Quem fala?

- Bruce Armstrong.

- ...

- Alô? Estás aí?

- Bruce?

- Sim.

- Como é que descobriste o número?

- Deu-mo a produtora. Da tua entrevista.

- O que se passa?

- Como vão as coisas?

- Como assim?

- Como vai a tua vida?

- Não falamos há quarenta anos e ligaste-me para me perguntar sobre a minha vida?

- Porque não? O que é que tu perguntarias?

- Fui suspenso da escola. Os pais ameaçaram retirar os miudos da minha aula e o reitor assustou-se. Eis a minha vida.

- Esta porra de cobertura noticiosa... Mas vai tudo mudar.

- Mudar como?

- Tens razão, não liguei para saber da tua vida. Jerry, hás-de ser contactado por uns gajos da Verdade Sobre a Lua.

- Tu e o Chuck sempre gostaram destes maluquinhos de circo. Não estou interessado.

- Estes são diferentes. São jornalistas e têm provas concretas.

- Todos eles tinham. Mas nunca se provou nada. Não estou interessado, Bruce.

- Mas vais estar. Só ainda não sabes. Não sabes que havia material ultra-secreto. Da CIA. Que só ficou disponível agora, passado o número de anos obrigatório. Eles descobriram os arquivos e têm estado a analisá-los. É um escândalo.

- Que tipo de arquivos?

- A última transmissão da Lua. Dos nossos pais. Antes de... bem, antes de morrerem.

- Todos conhecem a última transmissão dos que pousaram...

- Não, não é essa. A última transmissão de todos eles. Inclusive do teu. Depois de ter disparado o módulo de comando.

- Ele nunca...

- Foi o que nos fizeram crer. Mas na verdade interromperam a transmissão televisiva. Eles continuaram a emitir. E nunca nos disseram.

- ...

- Estás aí?

- ... Isto é mesmo legítimo, Bruce? Não é mais uma daquelas ideias...

- Os jornalistas são tipo Woodward e Bernstein. Enviaram os filmes para laboratórios do outro lado do mundo. Já lhes garantiram a autenticidade. Foram emitidos naquela noite, e nunca ninguém os viu. Quero dizer, o mundo não os viu. Apenas um punhado de autoridades no governo e na CIA estavam por dentro do segredo.

- E o que foi que disseram?

- Querem ajudar-nos a processar o Governo. Vai ser em grande, Jerry, muito em grande.

- Não: os nossos pais?

- Foi um pacto.

- Sim?

- Um pacto suicida. Combinaram durante a viagem. Combinaram não voltar à Terra. Neil e Buzz desceriam à Lua, como combinado, mas ficariam por lá, expondo a cápsula ao vácuo. Quanto ao teu pai, bem, aparentemente era suposto despenhar-se contra a superfície mas preferiu lançar-se pelo espaço. Pelo menos é o que ele diz.

- ...

- Jerry? Jerry?

- ... P-p-porquê?

- Qualquer treta sobre bombas atómicas no Vietname. Um plano maluco do Nixon. Queriam expor o caso e acabar com a guerra. Antes que houvesse uma catástrofe nuclear. Coisas da Guerra Fria, não faz qualquer sentido agora. Que grande cabrão, aquele Nixon, hein?

- Porquê? Porquê eles?

- Não sei. Mas não resultou. Conseguiram bloquear a transmissão assim que o módulo de comando do teu pai não emergiu do lado obscuro da Lua, daquela vez. E depois, claro, mancharam o nome dele. Que tinha disparado os foguetes propositadamente. Que tinha condenado os companheiros e a exploração do espaço. Afinal, era bem diferente.

- E vocês acreditaram.

- Quem?

- Tu e o Chuck. E as vossas famílias. Que o meu pai fosse capaz de fazer uma coisa dessas.

- Bolas, Jerry, não queríamos acreditar, mas que alternativas tínhamos? Éramos putos, perderamos os pais e a televisão dizia-nos que o teu tinha sido o culpado... Sabíamos lá o que devíamos pensar?

- Vão-se foder os dois. Eu também perdi um pai. Nunca vos ocorreu isso?

- Bolas, Jerry, eu entendo que...

- Não entendes porra nenhuma, Bruce. Eu perdi um pai e os amigos e o respeito público. A minha mãe perdeu o marido e ainda teve de aguentar o vexame de ver o nome dele enxovalhado por toda a gente. E a tua, a tua, Bruce. Nunca me hei-de esquecer daquele dia...

- A velhota perdeu as estribeiras, é natural...

- Vai-te foder. A tua mãe não morreu de desgosto. Andou a pavonear-se em tudo o que era talk-show, como sendo a grande viúva americana que sacrifica a família em prol da nação. Que grande farsa! Que grande farsa que tu és.

- Jerry, não te admito isto. Telefono-te para te dar estas boas notícias sobre o teu pai...

- Boas notícias? Durante anos acalentei a esperança que tivesse sido uma avaria nos foguetes, que aquilo tivesse disparado por acidente. Que os filhos da puta da NASA estivessem borrados de medo de ter feito porcaria e culpassem o meu pobre pai. Mas afinal foi um idiota com um pacto qualquer sobre uma guerra estúpida. Isso era mais importante que a família?

- Mas agora toda a gente vai vê-lo como um grande pacifista...

- Estou-me a borrifar para o que os outros pensam. Experimenta seres tu o mau da fita, desta vez, e não o grande heroi. A ver se encontras alguma justiça e perdão.

- Eu não fui heroi nenhum. Apenas não queria que esquecessem o meu pai. Não queria que terminassem o programa espacial. Jerry, se voltamos à Lua foi graças ao que eu e Chuck fizemos, ao que as nossas mães conseguiram.

- Foi mesmo? Ou era inveja, Bruce? Inveja de o meu pai ter roubado o momento de glória ao teu? Estavas tão contentinho por seres o filho do primeiro homem a andar na Lua, e eis que o meu pai, o pobre coitado relegado a ficar em órbita enquanto os outros entravam na História, se torna afinal no tipo que rouba o espectáculo e estraga a festa a toda a gente.

- Vai-te lixar, Jerry.

- Pois, finge que não te lembras de como vocês os dois gozavam comigo. O filhinho do astronauta que ia à Lua mas ficava de castigo.

- Tínhamos dez anos, Jerry! É o tipo de coisas que os putos fazem. Esquece de uma vez por todas.

- Estou-me a borrifar para a merda das gravações. Apresentem ou não apresentem, não me interessa. O que revelarem chega tarde de mais. Só interessa a reacção das pessoas. Condenaram uma pobre viuva e três crianças orfãs de pai, como se elas tivessem culpa do que ele tinha feito. O ser humano é uma besta, Bruce. Vocês são grandes bestas. E eles sacrificaram-se por isso? Que desperdício! Deixassem a merda o planeta arder. Não mereceis melhor. E certamente que não mereceis a Lua!

4.º Exercício de Escrita: um homem encontra finalmente uma paz interior e o perdão face a um ente querido, num cenário de Ficção Científica. Descreva a transformação interior sem aludir directamente a ela.

Numa abafada tarde de Novembro, em pleno Indian Summer, um homem senta-se no alpendre da sua casa com um computador portátil. Duas crianças que praticam basebol no meio da rua cumprimentam-no com alegria e respeito. Ele diz-lhes que tenham cuidado com os carros. Abre o computador e começa a fazer contas.

De vez em quando ergue a cabeça e descobre pessoas a olhar para ele do outro lado da estrada. Por vezes acena, na maioria ignora-as. Mães a passear os filhos de carrinho. Casais jovens. Turistas. Os curiosos não param.

Os mais velhos, da sua idade, ainda o olham com desconfiança, confusos com o desenrolar dos acontecimentos. É natural, e não esperaria nada de diferente.

O dinheiro chega à justa.

Todas as suas poupanças. O que a mãe lhe tinha deixado. A indemnização do processo ao Estado. O empréstimo das manas.

Mas vai finalmente lá. Ver o que o pai viu. Ver o que o fez decidir.

A mãe teria aprovado.

Quando voltar vai estar na penúria. Mas quem sabe se volta? Diz-se dos Collins que não aguentam ficar neste planeta toda a vida.

Todas as fronteiras precisam de professores para ensinar as novas gerações.

A Lua não será diferente.

1 comentário:

Luís Filipe Silva disse...

Eis um conto com óbvias deficiências.

Vou apontar as principais:

- Ficção Científica?! Isto é FC? Estão a brincar comigo. Quanto muito é história alternativa. Ou pior ainda, mainstream com laivos de fantástico.

Digam-me lá se eles não poderiam, antes, ter encontrado algo de perigoso no outro lado da Lua, algo que obrigasse o centro de comando de Houston a disparar remotamente os rockets do módulo em que estava Collins para impedir o Neil e o Buzz de regressarem (ou convencer o Collins a fazê-lo)

Se não poderiam ter esbarrado com aliens.

Se não poderiam ter encontrado vestígios de uma outra ida à Lua da humanidade em tempos antigos.

Daqui resultaria uma proibição/curiosidade que os governos teriam dificuldade em gerir. Possivelmente impelindo a criação de iniciativas privadas e o desenvolvimento da exploração espacial mais eficazmente do que o previsto no conto.

(Os governos possivelmente usariam os ICBM's para abater naves particulares que quisessem descobrir o que se passava.)

Isto não seria mais FC do que a pieguice apresentada no texto?

Mas não, aposto que o autor nem se lembrou disto...

- Por falar em pieguice, não seria mais razoável pressupor um acidente no espaço? Para quê condenar a atitude de um astronauta? Isto não iliba o programa espacial perante os russos, e só envergonharia a capacidade de selecção e treino dos americanos... Muito ineficaz

- Ainda que o astronauta fosse condenado porque teria de a sociedade condenar os filhos? Ainda por cima de oito anos? Muito pouco razoável

- Pressupondo que o ponto anterior derivava de uma manipulação dos media, que seria defensável, ainda assim o autor não aproveita esta abordagem, contribuindo para a pieguice geral da história

- Por fim, a estruturação em vinhetas não resulta bem. A ultima vinheta é no máximo consequência da penultima, não das duas anteriores. A que se refere à entrevista não passa de malabarismo de estilo - pouco contribui para o desenlace, apenas duas pistas (a foto e o carinho do personagem).

Tudo isto aponta para um texto muito pouco profissional e inacabado.

Além de ter laivos de mainstream e intimismo, que se pode questionar se não serão perniciosos ante o actual debate de fc/fantástico de característica portuguesa.

Muito, muito pobre.