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sábado, 24 de novembro de 2012

Relatório Sobre Probabilidade Zero


Destroços. A nave que se quis indómita jaz desfeita e abandonada.


Os arquivos mortos e empoeirados, esperando mão caridosa que desenferruje os gavetões; os sistemas off-line, dormitando sob plásticos que pouco protegem como indigentes fugindo do esquecimento.

Regresso ao blogue volvidos que são ano e meio sobre o último post significativo que por aqui publiquei. Desde essa altura, e como diria o velho sabujo de má memória, “o mundo mudou”. Inventaram-se primaveras árabes, depuseram-se ditadores e aliados, e por cá, neste arabesco lateral e periférico, mudou-se finalmente, o governo, a forma de governar, e a forma de ver o país. Não chega, não foi da melhor maneira, mas foi um primeiro passo. Porém, no que aqui nos interessa, nada mudou realmente. O mercado livreiro encolheu-se um pouco, a OS MEUS LIVROS desapareceu mais uma vez, desta feita (aparentemente) sem retorno possível, mas o Fantástico, esse termo que cada vez mais abomino, continua a arrastar-se, sem forma ou substância, rumo à irrelevância final. É verdade que se publicaram mais alguns livros, que se organizaram mais alguns eventos, que se assistiu a incursões da academia na área do Fantástico e do Fantástico na área da academia – mas todas elas tiveram um sabor estranho e amargo. O Fantástico Português ainda não alcançou o País: este viu-se reduzido, da pior e mais violenta forma, à sua verdadeira e irrelevante significância. No Fantástico ainda continuamos convencidos de que as coisas estão… qual será o termo? Fantásticas? Hmmmf.


Em 2011 publicou-se aquele que será, provavelmente o mais importante livro de literatura de género desta segunda década do século XXI, em Portugal. De sua designação OS ANOS DE OURO DA PULP FICTION PORTUGUESA (Saída de Emergência), parece-me que foram poucos aqueles que alcançaram as cabais implicações daquele magnífico retrato de uma história literária que podia ter sido. Foi um projecto de envergadura e arrojo, desenquadrado do nosso panorama deprimente e, por isso mesmo, serviu também para nos fazer notar o paupérrimo estado de coisas na nossa literatura. Derivativo é o qualificativo que cada vez mais se nos oferece com direitos de cidade. Mostrarem-nos como as coisas poderiam ter sido, ilumina cabalmente as coisas como elas são e, sobretudo, como elas não são.

Mas regressar à actividade bloguística após todos estes meses não pode ser um exercício pautado pela desilusão e pelo desânimo. A verdade é que a miséria reinante apenas permite progredir. Pior é possível, claro que sim, mas pouco desejável. Mas relendo textos pretéritos, varrendo do chão os cacos de todos estes propósitos, que fica por fazer? Gerar mais propósitos e consequentemente, mais cacos? Mais projectos estéreis? Bah, para quê?



No espaço de uma semana são apresentadas ao público duas novas antologias: LISBOA NO ANO 2000 (organizada por João Barreiros para a Saída de Emergência) e MENSAGEIROS DAS ESTRELAS (organizada por Octávio dos Santos para a Fronteira do Caos). São duas colecções de ficção curta com propósitos tão díspares quanto ambiciosos. De ambas participei um pouco, em fases distintas da sua gestação; no resultado final, a minha presença apenas será sentida na de Octávio dos Santos, que generosamente nela incluiu um mal-amanhado conto meu, O Confessor. São duas antologias que não podiam ser mais diferentes, mas, numa e outra, numa ou noutra capacidade, senti uma vez mais aquilo que nunca desaparece: uma paixão pelos meus géneros favoritos. E, se há uma coisa de que me apercebo, é que por muitas voltas que dê, por muitas traições que lhe cometa, pelas muitas vezes que por vezes lhe volte as costas, continuo a ter pela Ficção Científica a mais desvairada das paixões.

Daí que tenha decidido, como propósito de retomar a actividade no BLADE RUNNER, que doravante este se dedicará exclusivamente ao meu género de eleição. Daqui em diante, e salvo raras e honrosas excepções, debruçar-me-ei apenas sobre a Ficção Científica, seja com a objectividade do Crítico que, apesar de tudo, ainda sou, seja com a subjectividade do entusiasta com eternos doze anos que nunca deixei de ser.

Mas porque acima de tudo urge ser realista, sei que não conseguirei manter um ritmo de actualizações que me satisfaça cabalmente, pelo que aponto para uma periodicidade rara – uma vez por semana será o objectivo, mais como meta do que como promessa.

E porque as paixões são voláteis, e porque sei que volta e meia sentirei a tentação de abordar o Horror, resolvi criar uma válvula de escape para as pulsões mais subterrâneas, uma válvula com quatro escoadouros, que podem ser encontrados clicando nas imagens abaixo. 





As actualizações, meramente ocasionais, serão devidamente assinaladas na barra lateral do blogue, sob a epígrafe “Now Playing in a Blog Near You”.


Ora bem, renovados os votos, sumariamente manifestados os propósitos, limpos o pó e as teias de aranha, reparado quanto possível o casco deste foguete de voos baixos, resta colocar os sistemas novamente on-line, desempoeirar os arquivos da memória e da experiência e aguardar que os motores desenvolvam potência.



Como diria o Comandante Picard: warp speed: engage!





terça-feira, 2 de novembro de 2010

Indian Summer


Entramos em Novembro sob o signo da abundância. Primeiro de chuva, depois de uma catadupa de eventos de primeira magnitude ligados ao Fantástico. Hoje, inicia-se na Faculdade de Letras de Lisboa o Colóquio MENSAGEIROS DAS ESTRELAS, um evento e pendor académico que decorrer até sexta-feira e que reune nomes sonantes da academia, incluindo Farah Mendlesohn, com nomes mais familiares da Ficção Científica e da Literatura Fantástica nacional e internacional, incluindo autores como Geoff Ryman, David Soares, João Barreiros e Luís Filipe Silva, numa reflexão sobre a (ainda marginalizada) literatura de género, para a qual não deixará de ser pertinente a intervenção, também, de editores bem conhecidos da nossa praça como Luis Corte Real ou Pedro Reisinho. Desde uma reapreciação da recorrente temática da dita "Morte da Ficção Científica", na qual participarei com Luís Filipe Silva, João Barreiros, Telmo Marçal e Nuno Neves, a uma perspectiva geral do papel e da natureza da Ficção Científica e da Literatura de Género, passando pela análise de algumas obras específicas e bem conhecidas do cânone, são inúmeros os motivos de interesse que justificam uma deslocação à Faculdade de Letras de Lisboa. O programa pode ser consultado aí em cima, onde ficará disponível toda a semana.



Também hoje, e também em Lisboa, desta feita na livrria FNAC do Chiado, é apresentada pelas 19 horas a nova revista BANG! (número 8 da série iniciada em 2005). Direcção editorial parcialmente renovada e imagem lavada, a revista oferece-se aos leitores (literalmente, uma vez que é uma revista gratuita) com bastos motivos de interesse, dos quais merecem especial destaque os textos de António de Macedo (um dos mais importantes textos sobre a literatura fantástica portuguesa alguma vez publicados entre nós) e Pedro Marques sobre as capas dos livros de FC no período da New Wave (1964-1970). Um conto de José Eduardo Agualusa estende o âmbito da revista a um público-alvo mais alargado, embora possa causar um franzir de sobrolho aos leitores mais puristas do género. Não faltam outros motivos de interesse, nem de sobrolho carregado, mas prometo uma apreciação mais aprofundada desta nova BANG! logo que tenha podido degustar a contento o meu exemplar. Seja como for, a presença mais logo na FNAC Chiado é obrigatótria para os entusiastas do Fantástico. A apresentação cabe a Luis Corte Real, Safaa Dib, Afonso Cruz e António de Macedo.


E, como não podia deixar de ser, Novembro é também o mês que assinala o regresso do Fórum Fantástico, após um ano de interregno. O programa já foi anunciado, e pode ser consultado aqui. Com início a 12 de Novembro, evocando aquela que é, para muitos, a colecção fundadora da nossa tradição de Ficção Científica - a colecção azul da Caminho - servirá de palco para apresentação de livros, com especial destaque para as obras de Rosário Monteiro (A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis de J.R.R.Tolkien, Livros de Areia), e de David Soares (A Luz Miserável, Saída de Emergência), e incluirá um imprescindível workshop (A Mecânica da Escrita Fantástica) em que participam Ricardo Pinto, Stephen Hunt, Peter V. Brett, David Soares e Luís Pereira. Somem-lhe mesas redondas sobre o Fantástico no Feminino e sobre o Fantástico Juvenil, e são razões mais do que suficientes para não perder a reunião magna do Fandom nacional.

Finalmente, após esta catadupa de acontecimentos, espero poder voltar a uma actualização mas regular do Blade Runner (gee, Batman, knock on the spaceship hull...)