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O Blade Runner faz hoje 11 meses. OK, não é propriamente um aniversário, mas também nunca fui pessoa para celebrar números redondos. Gosto mais dos capicuas e prefiro o 29 de Fevereiro ao 31 de Dezembro. Mas não posso deixar de observar que este é apenas o meu 55º post (outro capicua), o que revela uma média de actividade de apenas 5 posts por mês. Muito aquém daqueles que eram os meus objectivos.
A verdade, porém, é que um blogue como este vive nos interstícios dos compromissos profissionais, incerto entre o carácter de cometário da actualidade dos géneros de que tanto gostamos, ou de fonte de referência para o conhecimento e interpretação desses mesmos géneros. Com cinco posts por mês, não consegue ser nem uma coisa nem outra.
E, sobretudo, tem falhado naquilo em que devia ter conquistado o seu espaço, ou seja, como veículo para a publicação de críticas mais aprofundadas das obras mais importantes do fantástico que vão surgindo nas nossas prateleiras, e que não encontram espaço (por questões editoriais, ou por falta desse mesmo espaço) nas revistas e secções literárias dos jornais.
Aliás, as críticas a livros foram escasseando ultimamente, pois o tempo que é exigido para a leitura atenta e a redacção de uma crítica capaz, a livros que chegam a ter mais de quatrocentas páginas é, também ele, escasso. Dividido entre as leituras para a OS MEUS LIVROS, a pesquisa de material para a minha própria escrita e a necessária actualização das fontes documentais, escasseia-me o tempo para a leitura por mero prazer.
Visitando os sites/blogues de outros autores, nacionais e estrangeiros, constata-se o mesmo facto: escassez de publicação durante os períodos de maior trabalho e,
nalguns casos, a pura e simples desistência dos blogues.
E, no entanto, o interesse em manter um blogue ainda não se desvaneceu.
Ocorreu-me, então, combinar o problema com a solução, e começar a escrever aqui no blogue sobre aquilo em que vou trabalhando. Calma, isso não quer dizer transformar o Blade Runner num daqueles entediantes diários que vão polvilhando a net: "Ai, esta semana escrevi dez páginas. Acho que cinco saíram muito bem, quatro precisam de revisão, e a outra deitei-a fora. Estou mortinho que leiam o que escrevi..." Nada disso.
Simplesmente, vou convidar-vos para um ano um bocado atípico, um ano um pouco mais temático e em que nos dispersaremos um bocado menos. Os projectos que me ocupam neste momento, em termos de escrita e de ensaio, centram-se sobretudo naquilo que costumamos designar por
pulp fiction. Assim, e se tiverem paciência para isso, 2008 será um ano em que dedicaremos um bocado mais de atenção a esse tipo de narrativa e suas manifestações literárias e cinematográficas, testando as diferenças entre o que podemos designar por
neo-pulp e
retro-pulp (uma definição algo pessoal, e que explorarei com um pouco mais de pormenor no próximo número da
BANG!).
Debruçar-nos-emos sobre alguns textos clássicos (Edgar Rice Burroughs, Lester Dent, Kenneth Robeson), visitaremos alguns seriados cinematográficos e televisivos (Buck Rogers, Flash Gordon, Lost City, Jungle Jim, etc...) e exploraremos o que une, o que separa e o que caracteriza algumas obras mais recentes, como as antologias de Chris Robeson, Michael Chabon, Joe R. Landsdale, o New Weird, ou as obras de Ian Flemming e Clive Cussler, fazendo mesmo alguns desvios pela BD de Alex Raymond, Howard Chaykin ou Alan Moore.
As prometidas (e malogradas) midnight sessions terão um carácter absolutamente esporádico mas, para os amantes do cinema fantástico, terei uma surpresa lá mais para final do mês.
De momento, são estes os planos. Mas, para funcionarem, é imprescindível que vocês - sim, vocês que estão aí e que perdem algum do vosso tempo a ler-me - não fiquem calados e me continuem a dar as vossas opiniões, seja aqui nos comentários, seja através de mail.
Então, até já.