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domingo, 26 de abril de 2009

O Futuro foi ontem...



Houve um breve período histórico, um verdadeiro piscar de olhos na escala cósmica das coisas, em que foi possível apontar o dedo ao Futuro. Durante esse período - uma escassa década, transplantada do século XXI para o século XX, nas palavras de um dos 12 Moonwalkers - o Futuro foi tão palpável quão efémero. Na verdade, e à medida que esse momento se afasta no correr imparável do tempo, cada vez se vai assemelhando mais a um delírio colectivo, uma alucinação lisérgica, uma construção fraudulenta.












Num momento em que a imaginação se fecha sobre si mesma, é quase impossível crer que houve um instante onde era possível olhar para o céu e aguardar pelo erguer luminoso e ribombante de uma nave espacial. Um instante, onde as mais fabulosas fabulosas propostas da ficção científica, foram verdade. Um instante onde era possível confrontar o futuro um pouco por toda a parte. O futuro, porém, já passou. O tempo devolveu-o àquele mais vasto futuro que se aninha numa caixa com o gato de Schrodinger, uma mera probabilidade, cada vez mais incerta, cada vez mais distante. O futuro existiu num passado que já não volta. O futuro foi ontem...

terça-feira, 10 de março de 2009

É impressão minha...


...ou os blogues mais interessantes continuam a ser aqueles cujos autores não se deixaram seduzir pelo patético fenómeno do Twitter?

É fascinante observar que as metes sãs que ainda não sucumbiram ao grasnar constante dos esfomeados da fama e da presença no mundo percebem a comunidade twitter como algo animalesco. Desde o início que a coisa se me afigurou mais ou menos como um imenso aviário; Pacheco Pereira, certeiro como sempre, vê-a mais como um peixe. E é pertinente citar alguns excertos:

A ideia de que esses mecanismos trazem uma nova “sociabilidade”, é inteiramente
contestável, a não ser que se seja estudante do sétimo ano e se descobrir ao
mesmo tempo e com todo o deslumbramento o mundo aditivo dos teenagers, drogas, sexo e rock and roll, que eu espero não seja a “sociabilidade” dos deputados da nação. Mas adultos? Adultos que representam a nação, a passarem o tempo a trocar trivialidades, bocas e picardias numa linguagem apenas um degrau acima dos SMS,
gutural e primitiva, em 140 caracteres e que acham que isso é “sociabilidade”?Espero bem que não enfileirem numa forma de falar, ou pior ainda de pensar, que tem a característica de fazer crescer o primata que há em nós. Nem sequer o primata, mas o anfíbio, o peixe ancestral que abre e fecha a boca num mar profundo.

Mas se querem realmente uma boa razão para abandonar mais esse devorador de tempo, encontram-na aqui, no Brian Unger's Exploring The Darker Side Of Tweets and Twitter (basta clicar em The Unger Report e uma vez na página clicar Listen Now):


O link e a imagem que ilustra este post foram subrepticiamente subtraídos daqui.

domingo, 1 de junho de 2008

The Road Ahead


O Blade Runner faz hoje 11 meses. OK, não é propriamente um aniversário, mas também nunca fui pessoa para celebrar números redondos. Gosto mais dos capicuas e prefiro o 29 de Fevereiro ao 31 de Dezembro. Mas não posso deixar de observar que este é apenas o meu 55º post (outro capicua), o que revela uma média de actividade de apenas 5 posts por mês. Muito aquém daqueles que eram os meus objectivos.

A verdade, porém, é que um blogue como este vive nos interstícios dos compromissos profissionais, incerto entre o carácter de cometário da actualidade dos géneros de que tanto gostamos, ou de fonte de referência para o conhecimento e interpretação desses mesmos géneros. Com cinco posts por mês, não consegue ser nem uma coisa nem outra.

E, sobretudo, tem falhado naquilo em que devia ter conquistado o seu espaço, ou seja, como veículo para a publicação de críticas mais aprofundadas das obras mais importantes do fantástico que vão surgindo nas nossas prateleiras, e que não encontram espaço (por questões editoriais, ou por falta desse mesmo espaço) nas revistas e secções literárias dos jornais.

Aliás, as críticas a livros foram escasseando ultimamente, pois o tempo que é exigido para a leitura atenta e a redacção de uma crítica capaz, a livros que chegam a ter mais de quatrocentas páginas é, também ele, escasso. Dividido entre as leituras para a OS MEUS LIVROS, a pesquisa de material para a minha própria escrita e a necessária actualização das fontes documentais, escasseia-me o tempo para a leitura por mero prazer.

Visitando os sites/blogues de outros autores, nacionais e estrangeiros, constata-se o mesmo facto: escassez de publicação durante os períodos de maior trabalho e, nalguns casos, a pura e simples desistência dos blogues.

E, no entanto, o interesse em manter um blogue ainda não se desvaneceu.

Ocorreu-me, então, combinar o problema com a solução, e começar a escrever aqui no blogue sobre aquilo em que vou trabalhando. Calma, isso não quer dizer transformar o Blade Runner num daqueles entediantes diários que vão polvilhando a net: "Ai, esta semana escrevi dez páginas. Acho que cinco saíram muito bem, quatro precisam de revisão, e a outra deitei-a fora. Estou mortinho que leiam o que escrevi..." Nada disso.

Simplesmente, vou convidar-vos para um ano um bocado atípico, um ano um pouco mais temático e em que nos dispersaremos um bocado menos. Os projectos que me ocupam neste momento, em termos de escrita e de ensaio, centram-se sobretudo naquilo que costumamos designar por pulp fiction. Assim, e se tiverem paciência para isso, 2008 será um ano em que dedicaremos um bocado mais de atenção a esse tipo de narrativa e suas manifestações literárias e cinematográficas, testando as diferenças entre o que podemos designar por neo-pulp e retro-pulp (uma definição algo pessoal, e que explorarei com um pouco mais de pormenor no próximo número da BANG!).

Debruçar-nos-emos sobre alguns textos clássicos (Edgar Rice Burroughs, Lester Dent, Kenneth Robeson), visitaremos alguns seriados cinematográficos e televisivos (Buck Rogers, Flash Gordon, Lost City, Jungle Jim, etc...) e exploraremos o que une, o que separa e o que caracteriza algumas obras mais recentes, como as antologias de Chris Robeson, Michael Chabon, Joe R. Landsdale, o New Weird, ou as obras de Ian Flemming e Clive Cussler, fazendo mesmo alguns desvios pela BD de Alex Raymond, Howard Chaykin ou Alan Moore.

As prometidas (e malogradas) midnight sessions terão um carácter absolutamente esporádico mas, para os amantes do cinema fantástico, terei uma surpresa lá mais para final do mês.

De momento, são estes os planos. Mas, para funcionarem, é imprescindível que vocês - sim, vocês que estão aí e que perdem algum do vosso tempo a ler-me - não fiquem calados e me continuem a dar as vossas opiniões, seja aqui nos comentários, seja através de mail.

Então, até já.