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A par de 1984 e 1977, 1968 foi, sem dúvida, um dos melhores anos para o cinema de FC. 2001: A Space Odyssey, Barbarella e Planet of the Apes, são apenas três clássicos imperecíveis e inultrapassáveis, cada um deles rompendo novos caminhos dentro do género e ajudando simultaneamente a elevar a ficção científica acima do carácter juvenil que a marcara nos anos 50 e 60, e mostrando que era capaz de ombrear com as obras propugnadas pelos teóricos (depois práticos) que nidificavam na Cahiers du Cinema.
Apenas vi Planet of the Apes na televisão, e mesmo aí, limitada pelas dimensões modestas da pequena caixa, a obra-prima de Franklin J. Schaffner é marcante. Abandonando o pretensiosismo bem francês da obra de Pierre Boule em se baseou, Schaffner incute à história do astronauta George Taylor (Charlton Heston, num dos seus papéis mais iconográficos) num planeta onde os macacos são senhores e o homem um mero animal, uma dose de humor satírico e carradas de sentimento não sacarino que, aliados às magníficas máscaras de John Chambers, tornam o filme uma parábola de insuspeita acutilância.
Não é à toa que o argumento conta com a colaboração de Rod Serling que, tal como fizera durante anos na série que o imortalizou (The Twilight Zone, 1959-1964), relativiza de forma soberba os valores que temos por adquiridos, levando-nos habilmente a tomar o partido dos macacos, obrigando-nos a considerar de não seria melhor um mundo governado por eles, antes de o confirmar com aquela magnífica última imagem, que nos fica gravada na retina e na memória (individual e colectiva).
E hoje, 40 anos após a sua estreia, ainda não perdeu nenhuma da sua força.
