segunda-feira, 21 de julho de 2008

Espaço para mexer os braços


Aprecio especialmente esta ilustração. Transmite uma sensação de silêncio, de insuperável isolamento. Nenhuma abertura fende o casco da nave, não se esvai o mais económico fio luminoso. A falta de janelas indica claramente tratar-se de uma nave de longo curso: só nelas o cenário permanecerá imutável, fixo nas vigias como uma pintura jocosa. A nave tem asas, promessa de uma aterragem com manobrabilidade atmosférica. Tal como não se vêm aberturas, não se vê também qualquer insignia, slogan publicitário emblema corporativo. Ou o aparelho está no espaço interplanetário há tempo bastante para que o bombardeamento de partículas tenha queimado qualquer tinta aplicada, ou trata-se de um empreendimento de olhos postos apenas no futuro, livre dos constrandimentos contemporâneos.

E imaginar as pessoas que viajem no seu interior; sim, porque não é possível acreditar numa nave robot, onde os mecanismos substituíram completamente o espírito de descoberta e exploração. Não são ainda os anos do comodismo, os anos 90 do século XX, ou os primeiros desta década.

Recordo-me das palavras de Heinlein, a abrir um dos seus contos mais improváveis, Gentlemen, Be Seated (quem o leu, não pode deixar de sorrir com este título): "It takes both agoraphobes and claustrophobes to colonize the Moon. Or make it agoraphiles and claustrophiles, for the men who go out into space had better not have phobias. If anything on a planet, in a planet, or in the empty reaches around the planets can frighten a man, he should stick to Mother Earth. A man who would make his living away from terra firma must be willing to be shut up in a cramped space-ship, knowing that it may become his coffin, and yet he must be undismayed by the wide-open spaces of space itself. Spacemen - men who work in space, pilots and jetmen and astrogators and such - are men who like a few million miles of elbow room".

E são cada vez menos...

1 comentário:

Oliver Tsubasa disse...

Quando é que escreves sobre um livro de fixão cientifica chamado Blade Runner.

Oliver