domingo, 30 de setembro de 2007

Barreiros na TV



Hoje à noite, na RTP2, pelas 22H30 (se a emissora cumprir com a programação), o imbatível João Barreiros subirá ao ringue (perdão, ao estúdio) para um dilacerante combate retórico com o físico Carlos Fiolhais. Em jogo, a literatura de Ficção Científica. O evento será arbitrado pela Paula Moura Pinheiro, no palco da Câmara Clara. Algumas informações oriundas de inside trading privilegiado dizem-me que o Contacto de Sagan volta a estar sobre a mesa.

É caso para perguntar: que livros de FC anda a ler a nossa comunidade científica desde 1985?

Mais comentários após o evento...

10 comentários:

Ricardo disse...

O teletexto refere 22H45. Pelo sim pelo não a parir das 22H00 é melhor meter a RTP2 em PiP.

Miguel Garcia disse...

Boa noite João ! Em primeiro lugar obrigado pela informação, confesso que estou um pouco desligado do mundo televisivo.
Gostei muito de ver o João Barreiros a representar, e muito bem, a ficção cientifica, mas de forma geral ficção.
Abraço
Obrigado

Safaa disse...

Ele esteve em geral muito bem, e foi realmente o dinamizador do debate. Infelizmente, o professor de Coimbra limitou-se a uma abordagem já muito antiquada da FC, ao passo que o João Barreiros mostrou como o género se revitaliza constantemente. Também achei muito interessantes as pequenas reportagens que intercalaram a discussão, mostrou-se ali algum cuidado.

Só não concordei com o comentário do Barreiros em relação às mulheres estarem mais viradas para o passado, mas calo-me já ou ainda me acusam de feminismo exacerbado.

E sabe-se que o PKD ficou satisfeito com o filme Blade Runner antes de morrer.Quem ouvisse o João Barreiros, julgava o contrário.

Mas de qualquer modo, a contribuição dele foi uma lufada de ar fresco, com bastante sentido de humor, e distancia-se das abordagens já tão batidas e paradas no tempo que costumam dominar o debate público sobre a FC.

Miguel Garcia disse...

O João Barreiros, por várias vezes provocou silêcios, incomodos, ou por vezes "alguma polémica" como disseste (safaa) nessa questão mais sexista, que tambem não concordei, a meu ver a moda dos romances históricos justifica-se com o ciclo normal dos interesses da humanidade, agora vivemo outra vez, penso eu, um renascimento do passado, neste caso literário, daqui a uns anos voltaremos a olhar mais para o futuro.

Miguel Garcia disse...

errata:
*silêncios
sorry

Barreiros disse...

E cometi um pequeno erro, por ele peço desculpa aos leitores de FC. O conto FIRST CONTACT, que tanto irritou o Evremov, não foi escrito pelo Edmund Hamilton, mas sim pelo Murray Leinster. Sorry.
Quanto aos romances históricos, principalmente os romances medievais que têm desenhos de mulheres na capa, qual é o homem que se quer ver apanhado com um deles na mão?

Barreiros disse...

(the sequel)
Defimnitivamente estes (com tais capas) estão virados para um público feminino. Qual é então o romance histórico que o homem lê, se é que lê?

Barreiros disse...

Eu sei que o romance histórico é uma moda, enquanto romance de "genre", provavelmente transitória. Aliás o Michael Chabom diz que hoje em dia, toda a literatura, incluindo a mainstream, é uma literatura de "genre". O problema é a saturação. É a fixação nos enigmas medievais/conspirações religiosas. Mais do mesmo. Ao ponto dos bons romances históricos que ainda vão aparecendo, começarem a ser soterrados em pilhas de "lixo" comercial.
Além disso, tinha de provocar, ou o debate transformava-se na habitual pastelice humanista dos bem-intencionados.
E nem quis eu tocar na HEROIC FANTASY com a pontinha do dedo. Aliás porque leio e gosto de HEROIC FANTASY, quanto mais "gritty" melhor.
Mas não concordam que, depois da Queda das Torres, o medo do futuro passou de novo a assaltar-nos? Daí a fixação num passado "seguro" e imutável, onde já aconteceu o que tinha de acontecer.
Dizia o Norman Spinrad (esse traitor que agora anda a escrever romances históricos) que uma sociedade que desistiu de sonhar o futuro, é uma sociedade condenada a morrer. O desaparecimento da FC das bancas portuguesas talvez seja o sinal da morte anunciada do nosso pais enquanto sociedade que se renova.
Abraços e obrigado pelos vossos comentários.

João

Miguel Garcia disse...

Permita-me discordar João, mas as capas são, segundo sei, feitas pelos editores, claro que, terão a ver com o conteudo, e com algum pedido do autor, mas nesse caso se tivessemos livros de FC com miudas na capa seriam estes para mulheres?
Há sem dúvida uma aproximação das boas memórias passadas, serve como muleta para os presentes vivos da sociedade, neste momento é perigoso especular/escrever sobre o futuro, com visões (não censuro) como as de Al Gore, e outros.
E o problema da ficção cientifica neste momento penso que vem um pouco do que disse ontem, quando se chegou à lua, os leitores de FC já lá estavam, ou seja, esse universo desconhecido, já não é uma novidade do dia, chegar à lua foi assunto de anos, meter(hoje) um satelite em orbita dura 2 minutos no telejornal. As coisas vão se tornando banais, não digo que seja correcto, mas é o "normal", a ficção cientifica hoje deverá ser sem duvida mais dificil de criar (de forma original) do que há uns anos. A lei de Moore contra isso age.
Obrigado pela sugestão do Quinto Dia, hoje já lhe toquei!
Abraços

Ricardo disse...

"E sabe-se que o PKD ficou satisfeito com o filme Blade Runner antes de morrer.Quem ouvisse o João Barreiros, julgava o contrário."

Bem, segundo várias fontes o que se passou em relação ao filme foi que o primeiro guião do Hampton Fancher foi mostrado ao PKD que disse: "corny, cliché-ridden, a bumbling effort from start to finish." Mais tarde e depois de david Peoples ter limado as arestas ao guião já PKD disse: "a first-class piece of work.". Dick apenas viu as chamadas "diárias" (rushes)do filme no seu estado embrionário que aprovou mas nunca chegou a ver nenhum rough cut nem muito menos uma versão final. A afirmação de Barreiros pode até ser perfeitamente entendida visto que o filme em si trai quase por completo a ideia de PKD. Isto é enquanto Dick tinha pavor aos simulacros, no filme eles são apresentados como mais humanos que os humanos.