quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Em 2010 no Blade Runner










domingo, 3 de janeiro de 2010

Guia Lambshead: Ponto de Situação


Com 2009 e em sintonia com o calendário, terminou o prazo para apresentação de originais para a edição nacional do Guia Thackery T. Lambshead a ser publicado pela Saída de Emergência em 2010. O número de textos recebidos foi bastante superior às expectativas que acalentava, tendo em conta que o tipo de texto pedido possuia características específicas a nível de estrutura, para além de ter que ombrear em qualidade com o contributo de autores de renome internacional e que transformaram a edição original num pequeno objecto de culto. Também por isso, e a uma primeira leitura, surpreendente também a qualidade de imaginação e de escrita de muitas das submissões.

Com o prazo inapelavelmente esgotado, parece contrasensual dizer isto, mas atentas algumas vicissitudes pessoais que me vão impedir de trabalhar no Guia durante esta semana, consideraremos ainda para possível inclusão no volume final os textos que venham a ser enviados para joao.seixas@gmail.com com o subject LAMBSHEAD - SUBMISSÃO até à meia-noite do próximo Domingo, 10 de Janeiro, hora portuguesa.

Isto justifica-se - excepcionalmente - pelo facto de alguns autores nos terem manifestado a vontade de melhorar os seus textos, e outros nos terem inquirido por eventuais prorrogações de prazo (que vêm sendo habituais nestes projectos). Pronto, cá fica uma prorrogação oficiosa, ainda que não oficial.

A partir de 11 de Janeiro, começaremos a contactar os autores, com uma de três finalidades: a) comunicar a não inclusão do texto; b) comunicar a inclusão do texto; ou c) solicitar alterações ao texto para inclusão na antologia. A decisão no sentido de a), b) ou c) cabe ao organizador da versão nacional da antologia (isto é - moi), por aplicação de critérios previamente definidos com o editor. Embora a decisão seja final e definitiva, não será arbitrária e estou disposto a trabalhar com os autores para ultrapassar qualquer ponto de discordãncia.

Os autores que não forem contactados de imediato não devem, apesar de tudo, desesperar: todos os autores serão contactados. Simplesmente, o grande número de submissões e a vontade de fazer acompanhar a decisão de um fundamento, ainda que breve, tornam impraticável o contacto a breve prazo com todos os autores. Apenas se não for contactado até 10 de Fevereiro, deverá o autor, atormentado por dúvidas quanto à eventual não recepção do seu original, invectivar a minha pessoa quanto às razões da demora.

Assim, a quem o desejar, mãos à obra.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano novo, vida...


... atrapalhada como sempre. 2009 já ficou para trás, sem deixar saudades de maior. 2010 surje agora no meu horizonte com o potencial da grandeza ou do desastre. Será um daqueles anos de vai ou racha. Chegando a Dezembro, logo vos digo como correu.

Entretanto, o trabalho continua a empilhar-se graças a drásticas mudanças de vida pessoal. Fica muita coisa por fazer, incluindo terminar a prometida publicação das críticas que assinei na OS MEUS LIVROS. Adiado, também,por mais uns dias, o meu balanço de 2009. Apesar de tudo isto, 2010 trará mudanças ao Blade Runner. Vamos distanciar-nos um pouco da obsessão pela actualidade e revisitar muitas das obras do passado, hoje injustamente (ou, por vezes, justamente) esquecidas e que vêm sendo desprezadas por uma nova geração de autores que se tem afirmando sem referências, citando atabalhoadamente leituras diagonais da Wikipedia e escudando-se por trás de uma falsa sobranceria para esconder a profunda ignorância que anima tudo o que escrevem. Não quer isso dizer que vá abandonar as referências ao que se tem publicado entre nós - continuarei a fazê-lo na OML e, espero, com maior frequência no blogue - mas tenho andado mergulhado na Golden Age da ficção científica escrita e nos períodos de 1950 a 1980 no cinema de FC, para além de estar paulatinamente a redescobrir os saudosos comics de ficção científica que editoras como a Marvel, a DC, a Avon, a Red Circle, a Fiction House ou a Atlas nos proporcionavam durante os anos 50, 60 e 70 do século passado, e gostava de partilhar aqui algumas das minhas impressões sobre todos esses títulos olvidados. 2010 será, assim, um ano intensivamente dedicado à Ficção Científica em todas as suas vertentes.

Isto dito, resta-me agradecer a paciência de todos aqueles que me querem ler e que sucessivamente vão aturando estes propósitos quase nunca cumpridos. Como disse acima, 2010 será um ano de vai ou racha... por isso: feliz 2010 a todos vós.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Deja Vu: Gótica (Clara Tahoces, 2007)




Bico de Pena, 2008
Tradução de Catarina Fonte
ISBN: 978-989-621-072-4
302 Páginas

Clara Tahoces é uma conhecida “jornalista” espanhola, dedicada aos temas das ditas “ciências ocultas”, facto que transborda desconfortavelmente da composição desta sua quarta novela, galardoada com o Prémio Minotauro em 2007. Gótica é uma corriqueira história de vampiros – ou mais concretamente, vampiras – que pretende disfarçar a total falta de originalidade através de alguma desmistificação dos elementos canónicos dos não-vivos, como sejam a incapacidade de suportar a luz solar ou a impossibilidade de engravidarem. Porém, ao fazê-lo, faz tábua rasa de outras variações anteriores, por mãos de autores bem mais capazes, apresentando-nos uma descarada reinvenção da roda que em nada é beneficiada por uma trama de acção demasiado assente em coincidências e comportamentos ilógicos por parte das personagens. Os leitores de Anne Rice ou Charlaine Harris não encontrarão aqui nada de novo, mas os fãs entusiastas de Stephenie Meyer podem retirar algum prazer de uma versão (pouco) mais adulta de um tema similar.



Uma versão ligeiramente diferente deste texto surgiu na OS MEUS LIVROS #74, Abril de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um Ansiado Regresso: As Correntes da Inquisição (Valerio Evangelisti, 1995)




Edições Asa, 2008
Tradução de Regina Valente
ISBN: 978-989-230319-2
256 Páginas



“As Correntes da Inquisição” é o segundo dos nove volumes que Valério Evangelisti dedicou, até à data, ao Inquisidor-Geral do Reino de Aragão, Nicolas Eymerich; e, tal como o volume anterior publicado pela Asa em 2006, é um soberbo exemplo de como a exímia mescla de géneros literários – a Ficção Científica, o Romance Histórico, o Policial e o Horror – permite revitalizar uma literatura nacional (neste caso, a Italiana), ao mesmo tempo que reconhece a influência de Umberto Eco na adaptação das receitas genéricas à Literatura Erudita.

Baseado numa personagem real, à qual a formação em ciências Histórico-Políticas de Evangelisti dá corpo e dimensão, Nicolas Eymerich assume-se como uma das mais icónicas personagens da literatura fantástica, aplicando um intelecto portentoso à defesa de uma fé eminentemente irracional. É aí, porém, que reside o grande mérito de Evangelisti, que evita uma abordagem simples e simplista do fenómeno do mal e da religião, dois fenómenos tão intimamente ligados como gémeos siameses e, ao invés, explora as formas retorcidas pelas quais o pensamento racional reforça por vezes as ideias mais disparatadas. E que melhor panorama histórico poderia existir para confrontar a fé e o intelecto de Eymeric com o mal, do que a Alemanha Nazi e a Roménia de Ceausescu, dois cenários onde o mal foi racionalizado ao extremo?

Uma vez mais, é ao entrelaçar hábil de três cronolinhas concorrentes que a narrativa vais buscar toda a sua força, obrigando o leitor a percorrer caminhos de dor, sofrimento e razão que apenas a mente humana soube e sabe criar. Uma série a não perder.

Uma versão ligeiramente diferente deste texto surgiu na OS MEUS LIVROS #73, Março de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Probabilidades Certeiras: O Ladrão da Tempestade (Chris Wooding, 2006)




Editorial Presença, 2009
Tradução de Miguel Romeira
ISBN: 978-972-23-4088-5
266 Páginas

Chris Wooding (nascido em 1977), autor bem conhecido dos leitores da Colecção Via Láctea, condensa nas escassas 266 páginas deste “O Ladrão da Tempestade” uma riqueza visual e criativa que os jovens autores nacionais publicados na mesma colecção não conseguem igualar em sagas de sete ou oito “tijolos”. Parte dessa riqueza visual emerge do cenário da cidade-ilha Orokos, sujeito a permanentes alterações por via da passagem das tempestades de probabilidades (uma ideia científico-ficcional que vai buscar ecos a Justina Robson, Aldiss e Dick) que tudo alteram à sua passagem, permitindo à narrativa fundir habilmente os registos de fantasia e FC. Mas não só; as referências a uma espécie tecnológica há muito desaparecida e a presença de um golem alado cibernético enriquecem definitivamente a aventura de Rail e Moa, dois jovens ladrões em fuga de um assassino implacável que pretende recuperar um instrumento da antiga tecnologia dos Fade que caiu em seu poder. Uma obra de qualidade superior, que nos faz desejar que toda a literatura infanto-juvenil fosse assinada por Gaiman, Reeves e Wooding.

Uma versão ligeiramente diferente deste texto surgiu na OS MEUS LIVROS #73, Março de 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

À Deriva no Tempo: A Máquina do Tempo Acidental (Joe Haldeman, 2008)




Europa-América, 2008
Tradução de Catarina Fonseca
ISBN: 978-972-1-06965-8
236 Páginas

Quando Matt Fuller apertou no botão REINICIAR do calibrador de que o professor Marsh o encarregara, nunca pensou acabar envolvido no extremo errado de uma investigação criminal, sentado frente a frente com Jesus numa teocracia tenebrosa ou transportado a um futuro que se assemelha bastante àquele que ele conhece. Nas mãos de Haldeman, porém, este acidental viajante no tempo vai conduzir o leitor pelos labirintos da vasta maleabilidade do real quando submetido às pressões da imaginação friamente lógica de um dos mais consistentes autores de FC. Volvidos quase dois anos sobre a publicação do anterior volume da Colecção Nébula, A Máquina do Tempo Acidental vem agora permitir esperança renovada quanto à continuidade de uma colecção que vinha dando a conhecer aos leitores nacionais algumas obras dos autores mais marcantes no género. Seja bem vinda de volta.


Este texto foi originalmente publicado na revista OS MEUS LIVROS #72, Fevereiro de 2009