


Especial destaque merece o uso dos vermelhos, seja no vestuário, seja na iluminação interior do cockpit do submersível com que Batman se depara com cadáveres em suspensão nas águas lamacentas do rio, ou mesmo nas luzes das ambulâncias e carros de polícia, que permite acentuar ainda mais a ameaça que pende sobre a cidade.

A acção é representada em sequências bastante dinâmicas (a fazer lembrar o DAREDEVIL de Miller, mas muito aquém dele), ora com concentração de movimentos num único painel, ora com a sua distribuição em pequenos pormenores gestuais contaminantes de toda a página. O visual de Gotham é aquele a que já nos habituamos, uma cidade entre o gótico europeu, uma metrópole pulp decadente, com os céus pontilhados de zeppelins que seriam anacrónicos nos céus de Metrópolis, e uma moderna paisagem urbana de arranha-céus vidrados entre os agulhões de alvenaria da viragem do século. Neste primeiro número, Batman (Dick Grayson, claramente já no universo BATMAN, INC.), auxiliado por Red Robin, Robin e Cassandra Cain (ex-Batgirl, agora Blackbat), começam a juntar as peças deste puzzle histórico, que termina com um delicioso cliffhanger de contornos retro-pulp quando o suposto terrorista (que Cobblepot, o Penguin, nos informa vestir “a rather interesting lookng suit”) se revela com uma vestimenta retrofuturista que nos faz invocar imediatamente imagens de potenciais crononautas wellsianos. Uma série a seguir com atenção.

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