segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Palavras que vale a pena repetir...


Do editorial do mais recente número da Free Enquiry (Outubro/Novembro 2007), onde Paul Kurtz define o seu conceito de Neo-Humanismo e reflecte sobre o papel da hierarquia da Igreja Católica no vergonhoso caso do abuso sexual de menores em Los Angeles; sobre as críticas visando a recente publicação de nada menos que seis livros pelos cinco cavaleiros do ateísmo (Dawkins, Harris, Dennett, Hitchens e Stenger), eis o o que tem a dizer:


"Yet nary a word of criticism has been made about the fact that the latest Harry Potter book by authorJ. K. Rowling, Harry Potter and the Deathly Hollows, had a firt printing of twelve million copies. I do not wish to be accused of being an old fuddy-duddy, but I deplore the fact that millions of young people rush out to devour books of fantasy, touting witchcraft and other paranormal phenomena, without even a semblance of skepticism. Bookstores are so eager to stay in business, they've had special parties for readers heralding its publication. Why not have such parties for bestsellers that are science fiction but at least ground their speculations in responsible extrapolation from the known?"

4 comentários:

Luís Rodrigues disse...

O problema que encontro com essa linha de raciocínio é que parte do princípio que os leitores (crianças incluídas) são completamente tapados e desconhecem a diferença entre a ficção que lêem e a realidade que habitam.

É natural que haja leitores desta estirpe, que os há, tal como existe quem ainda acredite no Pai Natal, mas custa-me levar a minha desconfiança das capacidades críticas do público a esse extremo. Repara que até o próprio desejo de alguns de ler fantasia com intuitos escapistas implica algum discernimento do que é real (e de onde se pretende escapar, ainda que momentaneamente) e do que é um mundo ficcionado.

Por outro lado, também lamento que outras literaturas mais cépticas (e sépticas, why not?) não se celebrem, mas não podemos ficar à espera que a educação das massas ande à mercê das vicissitudes do mercado. Se as livrarias não organizam festas para lançamento de livros de fc, outros interessados que o façam como puderem. Better to light a candle . . .

João Seixas disse...

Olá Luís.

A culpa é minha que não transcrevi a citação completa. Na sequência ele vinca ainda mais o seu objectivo; ou seja, o acento tónico é "without even a semblance of skepticism". A crítica é dirigida mais aos livreiros (e editores) do que aos leitores.

A citação prossegue: "At their best, books of fiction can inspire human imagination while remaining in touch with the empirical world. One might argue that books of blatant, untrammeled fantasy such as the Harry Potter books and films have a negative effect, especially when these tales are not presented - or understood - as pure fantasy. I surely believe in freedom of the press and the aesthetic power of novels; but I wish that there were counterbalancing literature to pure fantasy".

E deve ser entendida no contexto do editorial, que se referia às críticas apontadas aos livros de Dawkins, Hitchens at al. e que iam no sentido de terem um efeito pernicioso sobre as mentalidades e a moral pública. Enfim...

Barreiros disse...

Bom, o principal problema aqui em Portugal, é que tb não existem livros de FC relevantes para que se possa fazer uma festa sobre isso. O único que se aproxima da FC foi o QUINTO DIA. O autor poderia ter sido convidado, dado o sucesso do livro a nivel internacional. But...Quando este ano sugeri aos meus alunos de Psicologia que o lessem (todos eles adultos) fizeram cara de enjoadinhos, como se tivesse a sugerir-lhes a leitura da CRITICA DA RAZÃO PURA do Kant.
Ok. Poderia ter o autor do QUINTO DIA ter sido convidado para o FORUM FANTÁSTICO? Talvez. Será que ele fala Inglês? Não faço a menor ideia. Mas quanto à apresentação de livros este ano, o único genuinamente de FC é infelizmente o meu. Os outros pertencem à veia do slipstream, história secreta ou paródia absurdista.

Miguel Garcia disse...

Boa noite Senhores...
Este post fez-me lembrar uma história que achei genial, ouvi há tempos, uma professora, penso que em inglaterra, lembrou-se de usar os livros de H.Potter nas aulas para incentivar os alunos para a leitura, excluindo quaisquer opinões pessoais sobre o dito, acho que a ideia foi genial, claro que passados uns dias os pais juntaram-se muito bem juntinhos, (por motivos de crença religiosa), para processar a "professora que estava a incentivar os alunos para a bruxaria"... é absurdo...
O que mais me chateia é que as pessoas que muitas vezes criticam a ficção, fazem-no por respeito aos seus ideias religiosos, e não tem cabeça para perceber que a biblia não tem muita fundamentação cientifica.

Por falar em FC, e já que "estou na vossa presença" anuncio aqui, hoje mesmo vou entrar na colecção Argonauta, para começar com um PKD! A fonte que me emprestou tem muitos, e sei onde há à venda. Por isso talvez digam: Bem-vindo ao clubo dos FC's!
João Barreiros: O problema talvez tenha sido o tamanho do Quinto dia, infelizmente e estupidamente as pessoas, normalmente, tem medo de livros grandes.
Já há programa do Forum Fantástico?
Cumprimentos
Miguel Garcia