sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Hoje e há cinco anos


Logo mais, pelas 18:30, na Biblioteca Municipal de Telheiras, e no âmbito do Fórum Fantástico 2010, a Livros de Areia apresenta o primeiro ensaio em língua portuguesa sobre a obra de Tolkien, A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis de J.R.R.Tolkien. A autoria é de Maria do Rosário Monteiro, que estará presente no lançamento.

Foi no Fórum Fantástico de 2005 que a Livros de Areia apresentou o seu primeiro livro, uma edição limitada, assinada e numerada de Rhys Hughes com o título Em Busca do Livro de Areia & Outras Histórias, hoje esgotada e peça de colecção. A ideia de criar a editora tinha também começado a solidificar-se nos 1ºs Encontros de Literatura Fantástica da Faculdade de Letras de Lisboa que, em 2004, serviu de percursor para o já insubstituível Fórum Fantástico. É assim uma ligação muito próxima aquela que se desenvolveu entre a Lda e o FF, pelo que nada melhor do que o Fórum Fantástico de 2010 para assinalar os 5 anos de actividade da Livros de Areia e o início de um sexto ano que, assim espero e conto, será cheio de novidades.

Por isso, ergo o meu copo à LdA, e convido todos aqueles que participam neste evento a fazer o mesmo. Cheers.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Indian Summer


Entramos em Novembro sob o signo da abundância. Primeiro de chuva, depois de uma catadupa de eventos de primeira magnitude ligados ao Fantástico. Hoje, inicia-se na Faculdade de Letras de Lisboa o Colóquio MENSAGEIROS DAS ESTRELAS, um evento e pendor académico que decorrer até sexta-feira e que reune nomes sonantes da academia, incluindo Farah Mendlesohn, com nomes mais familiares da Ficção Científica e da Literatura Fantástica nacional e internacional, incluindo autores como Geoff Ryman, David Soares, João Barreiros e Luís Filipe Silva, numa reflexão sobre a (ainda marginalizada) literatura de género, para a qual não deixará de ser pertinente a intervenção, também, de editores bem conhecidos da nossa praça como Luis Corte Real ou Pedro Reisinho. Desde uma reapreciação da recorrente temática da dita "Morte da Ficção Científica", na qual participarei com Luís Filipe Silva, João Barreiros, Telmo Marçal e Nuno Neves, a uma perspectiva geral do papel e da natureza da Ficção Científica e da Literatura de Género, passando pela análise de algumas obras específicas e bem conhecidas do cânone, são inúmeros os motivos de interesse que justificam uma deslocação à Faculdade de Letras de Lisboa. O programa pode ser consultado aí em cima, onde ficará disponível toda a semana.



Também hoje, e também em Lisboa, desta feita na livrria FNAC do Chiado, é apresentada pelas 19 horas a nova revista BANG! (número 8 da série iniciada em 2005). Direcção editorial parcialmente renovada e imagem lavada, a revista oferece-se aos leitores (literalmente, uma vez que é uma revista gratuita) com bastos motivos de interesse, dos quais merecem especial destaque os textos de António de Macedo (um dos mais importantes textos sobre a literatura fantástica portuguesa alguma vez publicados entre nós) e Pedro Marques sobre as capas dos livros de FC no período da New Wave (1964-1970). Um conto de José Eduardo Agualusa estende o âmbito da revista a um público-alvo mais alargado, embora possa causar um franzir de sobrolho aos leitores mais puristas do género. Não faltam outros motivos de interesse, nem de sobrolho carregado, mas prometo uma apreciação mais aprofundada desta nova BANG! logo que tenha podido degustar a contento o meu exemplar. Seja como for, a presença mais logo na FNAC Chiado é obrigatótria para os entusiastas do Fantástico. A apresentação cabe a Luis Corte Real, Safaa Dib, Afonso Cruz e António de Macedo.


E, como não podia deixar de ser, Novembro é também o mês que assinala o regresso do Fórum Fantástico, após um ano de interregno. O programa já foi anunciado, e pode ser consultado aqui. Com início a 12 de Novembro, evocando aquela que é, para muitos, a colecção fundadora da nossa tradição de Ficção Científica - a colecção azul da Caminho - servirá de palco para apresentação de livros, com especial destaque para as obras de Rosário Monteiro (A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis de J.R.R.Tolkien, Livros de Areia), e de David Soares (A Luz Miserável, Saída de Emergência), e incluirá um imprescindível workshop (A Mecânica da Escrita Fantástica) em que participam Ricardo Pinto, Stephen Hunt, Peter V. Brett, David Soares e Luís Pereira. Somem-lhe mesas redondas sobre o Fantástico no Feminino e sobre o Fantástico Juvenil, e são razões mais do que suficientes para não perder a reunião magna do Fandom nacional.

Finalmente, após esta catadupa de acontecimentos, espero poder voltar a uma actualização mas regular do Blade Runner (gee, Batman, knock on the spaceship hull...)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Aquecer os Motores


O Blade Runner regressa com o Outono...

sábado, 19 de junho de 2010

A Próxima Ceia...


... incluida no 1º Encontro Bang! promovido pela Saída de Emergência, é já no próximo dia 24 de Junho. Oportunidade de conhecer e interagir com os actores que animam a colecção e o fórum BANG! de ambos os lados da página impressa. O programa pode ser consultado aqui. Informações actualizadas, aqui.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Dos Zero aos Cem em menos de nada


Ainda me recordo de quando "O Intruso" de H. P. Lovecraft chegou às livrarias, em 2004. Era, se bem me recordo, o segundo volume publicado pela Saída de Emergência (que à data usava ainda a designação Fio da Navalha), na sequência do Cristo Clonado de J. R. Lankford. Quer a editora, quer os seus títulos, eram motivo de conversa entre os entusiastas do Fantástico, que não sabíamos bem para que lado pender, entre o esperançosos e o desconfiados. Em 2004, ainda parecia estarmos a viver um momento de crescimento na FC e no Fantástico português, antes de as colecções da Presença se terem voltado quase exclusivamente para o público infanto-juvenil, e a escolha de títulos desta nova editora não permitia ainda adivinhar o seu rumo futuro. O Cristo Clonado era uma espécie de thriller com travos de FC, mas claramente comercial e pouco interessante em termos de género, ao passo que Lovecraft era algo saído dos armazéns das obras em domínio público, uma aposta economicamente segura, embora editorialmente arrojada, atendendo ao pouco que do mestre de Providence se tinha publicado entre nós. Era, de certa forma, uma entrada em cena tímida.

Volvidos seis anos incompletos, e a Saída de Emergência não deixa dúvidas quanto à aposta sólida e de qualidade no Fantástico, assumindo-se como a única editora que arrisca sistematicamente afastar-se dos caminhos bem batidos da bestsellerolândia para apresentar ao público leitor obras arrojadas e de grande qualidade, de autores como Dan Simmons, Tim Powers, Richard Morgan, Mervyn Peake, a par dos grandes clássicos que estiveram nos momentos formativos do género (Lovecraft, Howard, Burroughs, Dunsanny, Poe) e de uma aposta corajosa em autores nacionais de qualidade, dos quais David Soares é o melhor exemplo. Mais do que isso, e contadas raras excepções, é a única editora a fazê-lo actualmente.


Aquele "O Intruso" tornou-se o #1 da colecção BANG!. Hoje, menos de seis anos depois, chega às livrarias o ALMANAQUE THACKERY T. LAMBSHEAD DE DOENÇAS EXCÊNTRICAS E DESACREDITADAS, cuja edição portuguesa tive o prazer de organizar, reunindo um leque de novos e valentes autores que contribuiram para este volume com as cerca de cem páginas do COMPÊNDIO CALAMAR TRINDADE DE DOENÇAS NOTÁVEIS E INVULGARES. O estatuto da edição original, e o material inédito que compõe a versão portuguesa, só por si tornam este volume uma peça obrigatória de coleccção. Sucede porém, que o acaso ditou que o ALMANAQUE fosse o volume #100 da Colecção BANG!.

A BANG! torna-se assim na quarta coleccção nacional na área da FC&F a atingir a marca dos 100 títulos publicados, juntando-se à Argonauta, à EA de Bolso, e à Nébula. No entanto, se a Argonauta necessitou de 11 anos para atingir essa marca (1954-1965), a Nébula, 22 (1983-2005), e a Bolso-FC da EA cerca de 7 (1979-1985), a BANG! fá-lo em menos de seis, bem demonstrando uma expressiva vitalidade. Vitalidade essa que sai reforçada quando consideramos que em Julho do ano passado, a antologia COM A CABEÇA NA LUA era apenas o #75. A Saída de Emergência publicou assim 25 volumes da colecção (um quarto do total) em menos de um ano. Também por isso, está a Saída de Emergência, e muito especialmente os seus editores, Luís Corte Real e António Vilaça, de parabéns.

E que venham mais cem!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Biblioarqueologia gráfica



Nesta época de massificação dos gostos e de doentia redução da oferta temática e gráfica na área da Ficção Científica e do Fantástico, uma época dominada não só pela inexistência de memória/história do género entre os novos leitores (e alguns não tão novos) - dir-se-ia mesmo que dominada pela necessidade de desincentivar e eliminar essa memória para que não se registe a mediocridade e paucidade do que se vai publicando - é uma sorte termos alguns arqueólogos do gosto como o Pedro Marques que, ultimamente, tem mantido uma actividade notável na exploração das ligações entre forma e conteúdo (e suas implicações culturais) nos textos da ficção científica.

Desta feita, o Pedro debruça a sua atenção sobre o grafismo de uma particular colecção de ficção científica francesa, a Chute Libre, que publicou cerca de 20 volumes entre 1974 e 1978. A certo momento do seu texto, o Pedro aventa mesmo a hipótese de que "para além da questão das vendas, (...) o fim da colecção poderá ter tido algo a ver com o arrojo de algumas delas (capas)….". E estou bem em crer que não se engana, sobretudo porque alguns dos títulos publicados são dos (tematicamente) mais arrojados que a FC já nos apresentou: atente-se na capa do The Women Factory do Ian Watson (que também chegou a ter uma polémica edição portuguesa), ou nas do díptico Image of the Beast e Blown de Philip José Farmer, dois dos famosos títulos "pornográficos" que a Essex House lhe encomendou em 1968, que representam, se não fielmente, pelo menos honestamente o conteúdo dos mesmos.

Recordo-me - e neste momento, cito de cabeça - que Stan Barets no seu Catalogue des Cycles et des Âmes de la Science Fiction (1979), referia a recepção da novela Flesh, também de Farmer, publicada em francês sob o título Une Bourrée Pastorale, envolta em polémica, porquanto, exageradamente, "das suas páginas escorrem rios de sémen". Prometo mais tarde actualizar esta entrada com a citação exacta. No entretanto, nada melhor que ler o texto do Pedro e explorar o link que ele fornece e que nos remete para uma invejável enciclopédia da FC publicada em francês.