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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A prenda que o Black Peter vos devia trazer




Parece que foi ontem, mas passaram já quatro anos desde que as Edições Chimpanzé Intelectual se apresentaram ao mercado com um livro de contos de Ficção Científica e Fantástico. Foi um passo ousado para uma pequena editora recém-nascida, e cambaleante como costumam ser as primeiras incursões no inclemente mundo exterior. Mas os pés firmaram-se e foram ganhando força, os projectos foram-se acumulando e ganhando cada vez mais ousadia, interesse e qualidade.

Em 2009, a Chimpanzé Intelectual metamorfoseia-se em Escrit'orio Editora, um projecto mais ambicioso, e a designação que todos fomos aprendendo a apreciar serve agora de chancela a uma colecção de literatura fantástica que estreia sob o melhor dos auspícios com este BRINCA COMIGO E OUTRAS ESTÓRIAS FANTÁSTICAS COM BRINQUEDOS, uma breve antologia de contos temáticos que reune sob a mesma capa os melhores autores nacionais do género. João Barreiros, David Soares, Luís Filipe Silva e João Ventura assinam as quatro narrativas que nos propõem uma exploração em tons negros e cáusticos do mundo encantado dos brinquedos.

A antologia foi cuidadosamente pensada por Miguel Neto em torno da soberba narrativa titular (a única não inédita do volume), e todos os autores foram convidados a trocar ideias entre si para que não ocorressem repetições ou sobreposições temáticas acidentais. Chega-nos, assim, às mãos um precioso mosaico de contos perfeitamente apropriados a este período natalício, sempre enxameado de delicodoces brinquedos que não se comparam aos formidáveis companheiros de brincadeiras que estes quatro autores nos apresentam com inigualável mestria.

Certamente um dos livros do ano, e a prenda ideal para pedir ao Black Peter.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Comemorando Apollo 11: David Soares


A Lua ainda é um lugar misterioso…
por David Soares
A Lua ainda é um lugar misterioso…
Quarenta anos depois da primeira alunagem – depois daquela tímida tentativa de despir Selene – parece que o mundo ainda não entrou na épica era espacial que projectámos durante os anos cinquenta e sessenta do século passado: o futuro, para mal dos nossos pecados, assemelha-se, demasiado, ao presente. Ou, pior!, ao passado. A deusa ainda está vestida e adormeceu-nos, pobres pastores, de modo a conservar o pudor.
A conquista do espaço foi a última grande meta-narrativa que marcou, com um cunho distintivo, a cultura ocidental, mas, inversamente às meta-narrativas religiosas, que, infelizmente, ainda subsistem, esta, que é científica, parece ter sincopado. Não se assiste a um grande entusiasmo público diante dos progressos astrofísicos que vão sendo divulgados pela comunicação social e nos veículos da especialidade. Acho até que o espaço nunca esteve tão distante de nós, como hoje – e isso é uma pena. Talvez a Lua seja, com efeito, uma amante cruel.
Ou talvez nos falte uma comunicação social que conheça a linguagem científica e saiba transmiti-la sem a associar a imagens e conceitos, ditos divertidos, pensados para a tornar degustável pelos espectadores. Talvez nos falte uma nova grande meta-narrativa científica que sirva de contrapeso aos absurdos da fé. (O burburinho criado em volta do novo super acelerador de partículas do CERN quase serviu, mas os meandros da física quântica são demasiado insondáveis para serem compreendidos, e amados, pelo grande público.)
Em suma, falta-nos olhar outra vez para a Lua – de modo simbólico, também, pois trata-se de um local onde já estivemos e pode ser um lugar que sirva de modelo a viagens mais arrojadas.
A Lua ainda é um lugar misterioso… Na verdade, ainda é virgem. Apenas a acariciámos – falta cumprir-se a sua conquista.
Quarenta anos depois da primeira alunagem, ainda não despertámos para essa conquista. Talvez devêssemos aproveitar o facto de ainda estarmos a dormir… para sonhar!
Como está expresso no título da antologia de contos de ficção científica organizada pelo João, e publicada pela Saída de Emergência, precisamos de pôr a cabeça na Lua. Já lá pusemos o pé, mas isso não é suficiente, porque o pé não sonha.
A cabeça é que sonha.
E atrevo-me a dizer que os assuntos relacionados com a conquista do espaço são a única área da ciência capaz de fazer o público sonhar. Acredito que o futuro do discurso científico, junto da opinião pública, terá de passar por um novo sonho espacial.
Sonhar com o espaço faz da Terra um lugar melhor: mais pacífico, mais sábio e maior.
Mais sensual, até.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Amanhã no Fórum Fantástico 2008...

Da diversificada programação prevista para amanhã, Sábado, dia 04, tenho obrigatoriamente que destacar o lançamento de LISBOA TRIUNFANTE de David Soares e CARBONO ALTERADO de Richard Morgan, ambos publicados pela Saída de Emergência. No evento estarão presentes ambos os autores.




LISBOA TRIUNFANTE é o sugundo romance de David Soares e volta, de certa forma, à temática do seu livro anterior, escavando ainda mais fundo um nicho que começa a ser só seu: contar (um)a história secreta da Lisboa histórica, cultural, literária e artística que escapa aos nossos olhos mas não à nossa imaginação. É uma obra que, à semelhança de A CONSPIRAÇÃO DOS ANTEPASSADOS (Saída de Emergência, 2007), tece uma fascinante teia entre a realidade histórica e elementos de fantasia e horror a que as referências culturais tão típicas de Soares dão corpo e consistência. Talvez por isso, quem melhor do que o cineasta António de Macedo para apresentar este novo volume? É amanhã, às 17h00.



E, meia hora mais tarde, será a minha vez de apresentar Richard Morgan ao público português. Morgan surgiu na cena literária da ficção científica em 2002, com este CARBONO ALTERADO, que de uma só assentada arrebatou críticos, leitores, produtores cinematográficos e até colossos dos comics (Black Widow, anyone?), sendo galardoado em 2003 com o Philip K. Dick Award. CARBONO ALTERADO é um romance na veia do Future Noir, um policial hard-boiled em cenário futurista, escrito com a precisão de um bisturi. No entanto, mais do que a riqueza do cenário (cultural, religioso e tecnológico) que serve de tabuleiro à acção, é a personagem central do livro, o ex-Enviado Takeshi Kovaks (e, por favor, pronunciem correctamente Kova-sh, se querem continuar com a pilha cortical intacta) que permanece na memória depois de o leitor se ter deslumbrado com a mestria na construção do "mistério" que dá vida à história. Kovaks é ao mesmo tempo um duro e um cínico... inevitavelmente, como sempre acontece com os cínicos que falam com as armas, é também um romântico. Uma mistura explosiva, servida com doses saudáveis de violência prática, realista e necessária (por contra-ponto da violência tipo cartoon que é normal encontrar-se nas obras deste género).

Desde 2002, Morgan escreveu já mais cinco livros, Broken Angels, Woken Furies (ambos explorando outras facetas de Kovacs), Market Forces, The Black Man e, mais recentemente, The Steel Remains (uma primeira e peculiar incursão no universo da Fantasia Épica).