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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

George R.R. Martin na OS MEUS LIVROS




Já está nas bancas a edição de Setembro de 2008 da revista OS MEUS LIVROS. De epecial interesse para os fãs do fantástico em geral e de Martin em particular, este número da revista traz uma breve entrevista com o autor da Canção do Gelo e do Fogo (publicada entre nós pela Saída de Emergência) realizada por mim durante a sua estadia em Portugal em Julho passado. A entrevista teve uma duração total de cerca de cinquenta e oito minutos e, por imperativos editoriais, muito do que se conversou ficou de fora do texto que agora é publicado. No entanto, os entusiastas e completistas de Martin podem contar com uma nova entrevista com o autor aqui no Blade Runner, provavemente por altura do Fórum Fantástico, em Outubro.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A morte do futuro


Uma sociedade que deixa de sonhar o futuro, é uma sociedade sem futuro, escreveu certa vez Norman Spinrad, e as suas palavras deviam ser gravadas em pedra e afixadas em cada esquina. Para nós, que crescemos no século XX, um dos instrumentos de sonhar o futuro sempre foi a ficção científica. Mas para aqueles que cresceram na primeira metade do século, esse axioma é ainda mais verdadeiro: no seu tempo de vida, puderam testemunhar a concretização de muitos dos futuros prometidos, e a frustração de muitos mais.

Um dos mais dolorosos foi certamente a privação das estrelas. O programa espacial nasceu nas páginas de FC, se não como projecto concreto, como promessa e aspiração legítima da humanidade. A chamada Conquista do Espaço, alimentada pela corrida desenfreada entre os Estados Unidos e a União Soviética, alimentou a imaginação de milhares de milhões de pessoas um pouco por todo o mundo. Diz-se que, em 1969, todas as televisões do mundo ocidental estavam ligadas quando a 20 de Julho o Módulo Lunar pousou silenciosamente na superfície lunar. O impacto desse acontecimento é quase incompreensível para as novas gerações: a ideia de que alguém - um ser humano - punha pela primeira vez o pé num mundo alienígena, num corpo celeste que não a Terra.

Quem esteve presente na sessão de Sábado em Telheiras, pode ouvir Martin conjecturar que a (tantas vezes anunciada) morte da Ficção Científica ter-se-á ficado a dever à morte do sonho do espaço. Sem esse objectivo grandioso e inultrapassável (pese embora as lamúrias tecnofóbicas do Sr. Saramago), falta um fio condutor, um núcleo de agregação de um imaginário colectivo partilhado.

Esta capa da edição de Março de 1958 da revista REAL for men ilustra bem o sonho de conquista espacial. Os módulos colonizadores preparam-se para ultrapassar a Lua, rumo ao espaço interior. O seu particular desenho, com uma cabeça claramente definida, evoca outros tantos espermatozoa em torno de um gigantesco óvulo planetário, traduzindo a ideia de uma fecundação do universo pela humanidade. E, é sabido, a fecundação é premissa de futuro.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

George R. R. Martin em Telheiras


JULY 4 - No ringship today. Too bad. Earth ain't never had no fireworks that could match the nullspace vortex, and I felt like celebrating.

E assim foi que tive enorme honra e não menor prazer por partilhar a apresentação da Tormenta de Espadas com George Martin. Como a citação acima atesta, Martin não escreveu só Fantasia Épica, e tentei - com sucesso ou não, só quem assistiu o pode dizer - revelar um pouco mais de obras anteriores suas; obras anteriores aos seus anos televisivos em que trabalhou no renascer da série Twilight Zone (1985-1986), Beauty and the Beast (1987-1990) e no episódio-piloto de Doorways (1993), a série que ele mais desejava ter visto arrancar para um trilho de sucesso.

Mais tarde, ao jantar, compreendi o quão dolorosa continua ainda essa ferida. Claro que, dolorosa ou não, foi dessa ferida que brotou A Song of Ice and Fire, e o resto, como se diz por terras do Rei Bush, is history. Martin, como podem atestar os que estiveram presentes nos lançamentos de Lisboa e Porto, é um conversador cativante e foi uma experiência magnífica trocar com ele os nomes dos nossos autores e livros favoritos e constatar que partilhamos muitos dos gostos em termos de filmes e livros.

Amanhã é a vez de eu e o Rogério Ribeiro participarmos numa mesa-redonda com Martin onde debateremos tudo e mais alguma coisa relacionada com o horror, a ficção científica e a fantasia. Será na Biblioteca Municipal de Telheiras, por volta das 16h00. Uma vez que esta será a última sessão pública com a presença de Martin em Portugal, será também uma derradeira oportunidade para todos aqueles que ainda não tiveram o prazer de o ouvir ao vivo poderem participar também numa interessante troca de ideias com um dos melhores escritores do fantástico dos últimos tempos.

A foto é de Ray of Darkness e foi publicada no fórum da Saída de Emergência. Desde já me penitencio e agradeço por este uso não autorizado da mesma.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

George R. R. Martin no Porto


The Prophet came out of the South with a flag in his right hand and an axe handle in his left, to preach the creed of Americanism. He spoke to the poor and the angry, to the confused and to the fearful, and in them he woke a new determination. For his words were like a fire in the land, and wherever he stopped to speak, there the multitudes arose to march behind him.

Se conhecem bem o vosso Martin, não deve ser difícil identificarem a citação que transcrevi acima (e não, não é da Song of Ice and Fire). Enfim, Martin é mais do que um profeta, não sei se trás ou não pendão e machado, e certamente não vem pregar o Americanismo. Mas vem do Sul (Lisboa), onde a sua oratória já inflamou centenas de entusiásticos fãs, e é bem certo que onde quer que pare para apresentar o mais recente volume da sua saga épica, erguem-se multidões que empunham os volumes novinhos em folha para serem autografados.

Eu também já tenho os meus aqui numa saquinha e, com grande trepidação, vou arrancar agora de carro para o Porto onde vou ter o enorme prazer de apresentar George R. R. Martin no Auditório da FNAC do Norte Shopping, logo mais, por volta das 18h30. Portanto, legiões de fãs do Martin a norte do Mondego, ponham-se em marcha e ajudem a encher o auditório (o que não deve ser difícil, pois mal cabe lá meia centena de pessoas). Ao mesmo tempo, é uma óptima oportunidade para conseguirem um exemplar autografado da Tormenta de Espadas, já que o volume só chega às livrarias portuguesas com a canicula de Agosto.

Vejo-vos por lá.

terça-feira, 1 de julho de 2008

If you cut me, I still bleed four-color ink...


São palavras de George R. R. Martin, um autor americano que dispensa apresentações. Apesar de contar com inúmeros prémios e o reconhecimento ímpar de leitores, críticos e colegas de profissão como sendo o autor actualmente dominante no espectro da Literatura de Fantasia (e este actualmente refere-se ao período compreendido entre 1996 e o presente, o que não é feito nada modesto), Martin não renega as suas origens enquanto criança fascinada com os comics de super-heróis.

O encantamento dessas páginas impressas em painéis coloridos norteou a sua carreira desde as primeiras histórias e capas publicadas nos fanzines de banda desenhada, até à sua primeira venda profissional, em 1971, à revista Galaxy (onde Gardner Dozois, como slush reader, foi o primeiro a reconhecer o seu mérito). Daí para cá, as obras sucederam-se com qualidade inigualável nas áreas do horror (Fevre Dream de 1982 continua a encantar leitores pela abordagem que faz do tema clássico do Vampiro; ao passo que Skin Trade de 1989 é ainda considerado o melhor conto de lobisomens de sempre), da ficção científica (as aventuras de Havilland Tuf continuam tão actuais hoje como quando foram escritas nos anos 70 e 80) e, sobretudo, na fantasia onde a sua saga épica A Song of Ice and Fire (actualmente com 4 volumes de 7 projectados e a ser publicada entre nós pela Saída de Emergência) permanece inigualável pela qualidade literária, tratamento de personagens e detalhe colocado na construção do mundo de Westeros.

Pois é já daqui a menos de hora e meia que Martin estará presente no Restaurante do 7º piso do El Corte Ingles em Lisboa, para apresentar o 5º volume (da edição portuguesa) da sua saga. Visitando Portugal a convite da Saída de Emergência e da Épica - Associação Portuguesa para o Fantástico nas Artes, e contando com o apoio da Embaixada dos Estados Unidos da América, Martin estará acompanhado nesta sua primeira apresentação pública em Portugal por Safaa Dib, Vice-Presidente da Épica e Moderadora do Fórum do autor na página da SdE.

Na quinta-feira será a minha vez de partilhar o palanque com Martin no Auditório da FNAC do Norte Shopping, no Porto.

De referir ainda que é uma oportunidade única para conseguir um exemplar autografado do 5º volume português (A Tormenta de Espadas), cuja distribuição no circuito livreiro só se verificará a partir de 11 de Agosto.

Pode ainda consultar aqui e aqui o programa completo da visita de Martin.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A muralha da indiferença é a muralha mais alta


Há determinados livros que nos fazem repensar todo um género. Que nos obrigam a rever mesmo os nossos hábitos de leitura, o nosso conceito de narrativa e a nossa relação com o texto impresso. São livros que surgem raramente e espaçados no tempo.

Hoje chega às livrarias um desses livros: A Muralha de Gelo (Saída de Emergência), é a segunda parte de A Guerra dos Tronos, ambos formando o primeiro volume da saga As Crónicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin. Mas dizer isto é ficar aquém da realidade, pois as separações são totalmente arbitrárias numa série de volumes que contam uma só história, espartilhada somente por exigências editoriais, quer na edição original, quer nas várias traduções que se vão distribuindo um pouco por todo o mundo.

Digamos então que As Crónicas de Gelo e Fogo são aquilo que todos os épicos de fantasia gostavam de ser: complexas, violentas, intrincadas, com magnífico desenvolvimento de personagens e, acima de tudo, dotadas de uma perfeita coerência interna a nível da essencial irrealidade das suas premissas.

O mérito da obra não é de difícil reconhecimento: abençoados (ou amaldiçoados) com o intervalo de tempo que mediou entre a sua publicação original e a tradução que agora nos chega às mãos, não somos obrigados a um esforço crítico. A obra é já reconhecida como um marco da literatura fantástica – a par de outros como O Senhor dos Anéis, Gormenghast ou Glorianna – cujo lugar definitivo na Grande Biblioteca da Imaginação se mostra apenas dependente da efectiva conclusão da epopeia, e dos precisos termos dessa conclusão.

Por isso o livro desafia os nossos hábitos de leitura, o nosso conceito de narrativa, a expectativa com que sempre enfrentamos um livro novo: a de encontrar um final. As Crónicas de Gelo e Fogo ainda não têm um final; mas deliciem-se os leitores com os vários finais e recomeços que vão marcando o fluxo da acção. Martin é um artesão da escrita, e a ríspida simplicidade da linguagem, em toda a sua aparente simplicidade, é o maior logro dos grandes artesãos.

Quando, na revista OS MEUS LIVROS de Novembro de 2005 – há exactamente 2 anos – me pediram uma lista de obras de Fantasia de referência, considerei uma vergonha que ainda não tivesse sido traduzido entre nós George R.R. Martin: agora que o foi, é uma vergonha se lhe respondermos com indiferença.

Por isso, aproveitem esta semana tão propícia ao Fantástico e a bem conseguida tradução de Jorge Candeias (anos luz à frente da tradução da edição pirata que ainda se pode encontrar no refugo de algumas feiras do livro), para mergulharem no mundo cruel, sombrio e violento de Martin; e acabarão por descobrir quão soberbo e resplandecente pode ser.