Provavelmente, foi este grau de proximidade genética, aliado a um grau de proximidade do registo histórico, que ditou que fossem escassas as obras de Ficção Científica que abordassem cenários tecnológicos no velho oeste. Ou isso, ou o facto de o filão ter sido quase exaurido na série de televisão The Wild Wild West (1965-1969), que na sua segunda série (1967-1968), conta inclusivamente com um episódio (“The Night of the Flying Pie Plate”, ep.06), que nos apresenta a chegada de um disco voador tripulado por homenzinhos verdes (neste caso, mulheres verdes), mas que na realidade não passa de um esquema do Dr. Loveless para roubar um carregamento federal de ouro! Parece-lhe familiar? Então é porque já viu COWBOYS & ALIENS, que se limita a literalizar a presença de seres alienígenas para contar a mesma história.
COWBOYS &
ALIENS fica-se pela mera ideia. Mas se a
Ficção Científica já foi considerada a Literatura de Ideias, só uma ideia não
chega para fazer um bom filme de Ficção Científica. Talvez por isso Favreau, Orci
e Kurtzman recorram desesperadamente a tantos momentos icónicos de filmes
anteriores, desde JURASSIC PARK
(1993) (o momento já referido entre Ford e o miúdo, que ecoa aquele outro entre
Sam Neil e um outro miúdo, tendo uma garra de velociraptor onde este tem uma
faca), até ao final de I, CRUDELI
(1967), onde o vilão também termina coberto com o ouro derretido que tinha
roubado. Atrever-me-ia a identificar um paralelo mais subtil entre o alienígena
que mata a mulher de Craig, e que este deixa marcado com uma cicatriz, e o
duelo de John Wayne, em THE SEARCHERS
(1956), com o chefe índio Scar (cicatriz), que para o Ethan Hawke de Wayne é
tão alienígena como o mais foleiro monstro de CGI, mas um tal paralelo
parece-me totalmente fora do alcance de Orci e Kurtzman – mas não já de
Spielberg que, ao que consta, aprendeu a fazer cinema com John Ford.
A realização de Jon Favreau, competente ao leme de IRON MAN (2008), apresenta-se aqui no
mesmo modo confiante de cruzeiro que tornara IRON MAN 2 (2010) um exercício frustrante, levando-me a crer que,
tal como Orci e Kurtzman, Favreau confia em demasia na capacidade dos efeitos
especiais obliterarem os demais defeitos do filme. Mas nenhum efeito especial
consegue transformar uma direcção ociosa num trabalho competente.


















































