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sábado, 12 de julho de 2008

50 Doors Into SF 04: A Asa Voadora do Spider Gang


A iconografia do pulp ou do retro-pulp baseia-se muitas vezes num anacronismo (retro)futurista. O sentido de aventura do romance histórico cruza-se com um tecno-futurismo sonhado mas nunca concretizado. A asa voadora de Raiders of the Lost Ark (1981), o biplano suspenso do Zeppelin em Indiana Jones and the Last Crusade (1989) ou o Zeppelin a atracar no topo do Empire State Building em Sky Captain and the World of Tomorrow (2004) representam projectos efectivamente existentes mas nunca concretizados. O retrofuturismo pulp é uma nostalgia pelo futuro inconcretizável, numa eterna infância histórica, de um momento concreto sempre no dealbar de um amanhã prometido.

Em 1937, a Republic Pictures apresentou o primeiro seriado em 15 episódios que adaptava as aventuras do herói dos comics criado por Chester Gould, Dick Tracy. Tracy, interpretado por um dos mais populares actores de serials, Ralph Byrd, procura impedir os esquemas criminosos do The Lame One, líder do denominado Spider Gang. Nos dois primeiros episódios, o sinistro vilão serve-se de uma gigantesca asa voadora equipada com canhões ultrasónicos (enormes altifalantes) para destruir a Golden Gate Bridge.

Lembro-me de ter visto este seriado na RTP, ao fim da tarde dos Domingos, algures em finais dos anos 70. Dele retive sempre a Asa Voadora e a ponte a ser bloqueada por um dos camionistas a soldo dos malfeitores, que assim procurava frustrar o plano de Tracy de obstar à vibração da estrutura ao sobrecarregá-la com centenas de camiões . Os cliffhangers que terminavam cada um dos episódios eram verdadeiramente empolgantes, com Tracy a pilotar um avião que explodia contra uma ponte, numa lancha a ser esmagado entre dois navios, amarrado na caixa de carga de um camião que tombava de um desfiladeiro. Os automóveis eram magníficos, as cenas de pancadaria faziam-nos querer imitar os nossos heróis mas, pelo menos para mim, foi sempre a Asa Voadora que definiu aquela série. Um estilhaço do Futuro que se cravava na monotonia monocromática do presente.