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quinta-feira, 19 de março de 2009

Uma nova canção


A CANÇÃO DE KALI, primeiro romance de Dan Simmons, é um livro ímpar no género do fantástico. É um daqueles títulos que integra inevitavelmente qualquer lista das obras de referência, e fá-lo de pleno direito. E é um livro que não é desconhecido do público português, tendo já merecido uma primeira edição pela Clássica em 1993 , e voltando a ser reeditado pela Saída de Emergência em 2005, em ambos os casos com tradução de João Barreiros.

Pois bem, chega amanhã, dia 20, às bancas uma nova edição da Saída de Emergência, comemorativa dos 25 anos da edição original da obra, surgida pela primeira vez em 1985. Esta nova edição, que apresenta um grafismo bastante apelativo (e ao qual a digitalização que ilustra este post não faz a devida justiça) inclui um prefácio de minha autoria e um posfácio de João Barreiros.

Simmons, estranhamente, não tem mais nenhum dos seus livros traduzido para português (embora a Saída de Emergência vá também publicar muito brevemente o CLUBE DE PATIFES, tradução do excelente THE CROOK FACTORY), daí que no meu texto introdutório tenha procurado contextualizar a obra na carreira do autor e na evolução do género em geral. Já o João Barreiros, recorrendo mais uma vez à sua quase sobrenatural capacidade de interpretação do fantástico, demonstra como A CANÇÃO DE KALI continua a ser um texto determinante e actual volvido quase um quarto de século desde a sua publicação.

Para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ler um livro de horror que o é abertamente ao mesmo tempo que transcende os limites do próprio género, esta é uma excelente ocasião para o fazer. E aqueles que já adquiriram uma ou outra as edições anteriores, podem agora, se assim o quizerem, fazer o hat trick das edições nacionais e, ao mesmo tempo, desfrutar (ou não) dos novos textos que abrem e fecham o volume.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Almas Gémeas?







Que têm em comum Dan Simmons (n.1948) e Tim Powers (n.1952)?

Antes de mais, são dois escritores do fantástico, capazes de navegarem com facilidade e mão segura de um género para outro, sabendo ao mesmo tempo inovar e respeitar a história e tradições genéricas. Em segundo lugar, são dois escritores exímios: ou seja, possuem um domínio exemplar da escrita e das técnicas narrativas, uma noção de ritmo da linguagem que converte as suas obras em canções silenciosas, ricas em sonoridade e cadência quando lidas em voz alta, suaves e envolventes quando acariciam o cérebro do leitor.

Atrevem-se ambos a escrever com excelência nos campos da Fantasia, do Horror e da Ficção Científica, excelência que não se limita à construção da história, mas se estende à exploração da linguagem. E, para além de assinarem livros populares e acessíveis, conseguem o paradoxo, um e outro, de serem o que usualmente se refere como writer's writers. Autores com quem se aprende a escrever, autores cuja técnica é melhor apreciada por aqueles que também escrevem e que, raras vezes, não conseguem conter uma pontinha de inveja.

Outra coisa que têm em comum, é serem ambos publicados em Portugal pela Saída de Emergência. Ora, quem lê este blogue e conhece a realidade da literatura fantástica em Portugal, sabe que a SdE tem apostado com coragem na publicação de alguns dos melhores autores do fantástico, numa colecção discreta e de grande sonoridade (A Colecção BANG!), ajudando a promover entre nós alguns autores brilhantes e que, de outra forma, passariam completamente desapercebidos.

Uma das estratégias da SdE foi a criação de um fórum de leitores dedicado à colecção BANG!, subdividido em vários outros fóruns específicos, dedicados aos seus vários autores. Para moderar esses fóruns, o Luís Corte-Real (editor da Saída de Emergência) convidou algumas pessoas de grande valia, como a Safaa Dib, o Luis Filipe Silva e o Luís Rodrigues. Depois resolveu baixar a fasquia e convidou-me a mim, apesar de saber que ando apertado de tempo.

Estive para recusar. Mas ele insistiu, dizendo que precisava de um moderador para os fóruns do Dan Simmons e do Tim Powers.

Do Dan Simmons e do Tim Powers?, perguntei eu, incrédulo. Dois dos meus autores favoritos?

Bom, passem por de vez em quando, e ajudem este pobre moderador a fazer jus a dois dos melhores autores da actualidade.