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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Indian Summer


Entramos em Novembro sob o signo da abundância. Primeiro de chuva, depois de uma catadupa de eventos de primeira magnitude ligados ao Fantástico. Hoje, inicia-se na Faculdade de Letras de Lisboa o Colóquio MENSAGEIROS DAS ESTRELAS, um evento e pendor académico que decorrer até sexta-feira e que reune nomes sonantes da academia, incluindo Farah Mendlesohn, com nomes mais familiares da Ficção Científica e da Literatura Fantástica nacional e internacional, incluindo autores como Geoff Ryman, David Soares, João Barreiros e Luís Filipe Silva, numa reflexão sobre a (ainda marginalizada) literatura de género, para a qual não deixará de ser pertinente a intervenção, também, de editores bem conhecidos da nossa praça como Luis Corte Real ou Pedro Reisinho. Desde uma reapreciação da recorrente temática da dita "Morte da Ficção Científica", na qual participarei com Luís Filipe Silva, João Barreiros, Telmo Marçal e Nuno Neves, a uma perspectiva geral do papel e da natureza da Ficção Científica e da Literatura de Género, passando pela análise de algumas obras específicas e bem conhecidas do cânone, são inúmeros os motivos de interesse que justificam uma deslocação à Faculdade de Letras de Lisboa. O programa pode ser consultado aí em cima, onde ficará disponível toda a semana.



Também hoje, e também em Lisboa, desta feita na livrria FNAC do Chiado, é apresentada pelas 19 horas a nova revista BANG! (número 8 da série iniciada em 2005). Direcção editorial parcialmente renovada e imagem lavada, a revista oferece-se aos leitores (literalmente, uma vez que é uma revista gratuita) com bastos motivos de interesse, dos quais merecem especial destaque os textos de António de Macedo (um dos mais importantes textos sobre a literatura fantástica portuguesa alguma vez publicados entre nós) e Pedro Marques sobre as capas dos livros de FC no período da New Wave (1964-1970). Um conto de José Eduardo Agualusa estende o âmbito da revista a um público-alvo mais alargado, embora possa causar um franzir de sobrolho aos leitores mais puristas do género. Não faltam outros motivos de interesse, nem de sobrolho carregado, mas prometo uma apreciação mais aprofundada desta nova BANG! logo que tenha podido degustar a contento o meu exemplar. Seja como for, a presença mais logo na FNAC Chiado é obrigatótria para os entusiastas do Fantástico. A apresentação cabe a Luis Corte Real, Safaa Dib, Afonso Cruz e António de Macedo.


E, como não podia deixar de ser, Novembro é também o mês que assinala o regresso do Fórum Fantástico, após um ano de interregno. O programa já foi anunciado, e pode ser consultado aqui. Com início a 12 de Novembro, evocando aquela que é, para muitos, a colecção fundadora da nossa tradição de Ficção Científica - a colecção azul da Caminho - servirá de palco para apresentação de livros, com especial destaque para as obras de Rosário Monteiro (A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis de J.R.R.Tolkien, Livros de Areia), e de David Soares (A Luz Miserável, Saída de Emergência), e incluirá um imprescindível workshop (A Mecânica da Escrita Fantástica) em que participam Ricardo Pinto, Stephen Hunt, Peter V. Brett, David Soares e Luís Pereira. Somem-lhe mesas redondas sobre o Fantástico no Feminino e sobre o Fantástico Juvenil, e são razões mais do que suficientes para não perder a reunião magna do Fandom nacional.

Finalmente, após esta catadupa de acontecimentos, espero poder voltar a uma actualização mas regular do Blade Runner (gee, Batman, knock on the spaceship hull...)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cinco Anos de Estouro


Foi em Novembro de 2005 que a primeira BANG! (#0 - confesso que nunca percebi a lógica disto) surgiu no decurso do Fórum Fantástico, o primeiro organizado sob essa designação pela Safaa Dib e pelo Rogério Ribeiro, com o apoio da Épica - Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes. Aqueles que acompanharam de perto o(s) acontecimento(s), terão certamente na sua colecção um exemplar da tiragem da revista que apresentava a capa completamente despida de lettering. Erros e enganos que ajudam a valorizar estas pequenas coisas, a enriquecer colecções do género e a cimentar uma memória colectiva do género em Portugal.

Esse primeiro número, que no segundo dia do Fórum já se apresentava normalmente vestido, anunciando na capa um artigo sobre "Saramago: o Nobel da Ficção-Científica", da autoria de "José" Candeias, e a pré-publicação de Salomão Kane, marcava também a estreia em Portugal de Lavie Tidhar, com o conto Aranhas Temporais, Teias Espaciais, que acompanhava ficção portuguesa de David Soares, Ágata Ramos Simões e João Ventura. Um receita eclética que se revelou de sucesso, apesar de algumas queixas quanto ao arranjo gráfico demasiado próximo do de um "mero" fanzine. Afinal, a BANG!, era a primeira revista séria exclusivamente dedicada ao Fantástico, estatuto que foi consolidando ao longo dos dois números em papel que se seguiram.

Efectivamente, quando a BANG! surgiu, sob direcção de Rogério Ribeiro, os fanzines nacionais apresentavam ainda alguma agitação. O Rogério assumia as rédeas da revista após ter assegurado a edição de cinco números do Dragão Quântico, onde também colaborou Ricardo Loureiro, editor do Hyperdrivezine, do Câmara Obscura e do Nova. Com o número 3, a BANG!, afectada por vendas escassas, transita para o formato digital, ganhando número de páginas, maior variedade de conteúdos e mais maturidade crítica e literária, até se tornar a revista de referência no Fantástico e sobrevivendo ao progressivo e paulativo desaparecimento de todos os fanzines e e-zines que durante alguns anos, e graças aos esforços do Rogério Ribeiro, do Ricardo Loureiro, do Telmo Pinto e do Tiago Gama contribuiram para o aparecimento de novos autores e para o enriquecimento do género.

Com o seu número 7, oitavo número da revista, e com mais uma gralha de colecção na capa (datada de Fevereiro de 2009), a BANG! retoma a edição em papel, desta feita sob direcção de Luís Corte-Real e Nuno Fonseca e com um grafismo profissional e praticamente irrepreensível. Nuno Fonseca, no seu editorial, promete "renovar constantemente, pisar novos territórios e abraçar novas ideias", e fiel a esta determinação a revista diversifica ainda mais os seus conteúdos, estendo a cobertura ao cinema e à banda desenhada (duas lacunas que era importante preencher) e deixando de fora apenas a música - e creio que a revista ficaria perfeita com uma secção semelhante à que Douglas E. Winter assina na VideoWatchdog.

A par da ficção de Vasco Curado (presença habitual da BANG!), Valéria Rizzi (uma surpresa para quem não "a" conhece), Gerson Lodi-Ribeiro, Renato Carreira e Richard Matheson, os ensaios de David Soares (uma magnífica análise do Ensaio Sobre a Cegueira de Saramago e do superior The Day of the Triffids de John Whyndham), António de Macedo (sobre uma fabulosa biblioteca digna dos sonhos de Borges) e José Carlos Gil (conclusão do seu ensaio sobre Lovecraft iniciado no número anterior) ajudam a tornar este número da revista numa peça de qualidade invejável. É, sem dúvida, um dos melhores números da BANG!, confirmando a curva ascendente de qualidade que vinha prometendo desde a edição inicial há quase cinco anos.

Infelizmente, o editorial de Luís Corte-Real agourava já tempos menos bons. Quando o editor diz, "Mesmo que vendamos todos os exemplares impressos, a editora não vai ganhar um cêntimo", é sempre de temer o pior. O que é pena, pois a BANG! é uma revista imprescindível para qualquer pessoa que leve a sério o Fantástico em Portugal. Mais do que isso, é assumidamente a única revista portuguesa dedicada ao Fantástico, sobretudo depois de a esperança prometida pela Dagon se ter desvanecido com um número experimental verdadeiramente medíocre e o subsequente desaparecimento nos esconsos de uma vanity press. É por isso dever de todos nós fazer saber à Saída de Emergência e aos editores da BANG! que não prescindimos da revista e que não prescindimos da revista em papel. Afinal, é a única que temos.

Numa tentativa de minorar as despesas, a Saída de Emergência resolveu voltar a organizar a revista com a "prata da casa"; sai, por isso Nuno Fonseca, a quem devemos agradecer a co-organização de um número da revista verdadeiramente memorável. A substituí-lo, Safaa Dib assume a direcção da revista, representando uma garantia de qualidade e de continuidade no trabalho de excelência que a BANG! vem desenvolvendo em prol do Fantástico.

Espero, por isso, com ansiedade pelo próximo número.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O Regresso da Bang!


A Saída de Emergênciatem disponível no seu site, para download gratuito, o sexto número da revista BANG!. Com capa evocativa do ano Poe que atravessamos (ainda por cima, marca em números redondos o nascimento e a morte do autor, ocorridos respectivamente em 1809 e 1849), apresenta-se mais uma vez de conteúdo abundante. Porque ainda me não foi possível degustá-la a preceito, resta-me apenas fazer uma especial referência (sem demérito para os restantes participantes) ao ensaio de António de Macedo que vem complementar a "tertúlia" que eu, ele e o David Soares mantivemos no número anterior (nos próximos números segue-se um ensaio semelhante do David e, por fim - batam na madeira - o meu), ao conto e ao ensaio de Nuno Fonseca que tem neste número uma participação em cheio, e à primeira parte de um extenso e muito interessante ensaio sobre o papel de Lovecraft na cultura ocidental, assinado por José Carlos Guerreiro Gil, e que estou ansioso por ler com mais atenção.

Importante observar também que a Saída de Emergência volta a inserir na BANG! - e bem - mais um texto com preciosas e pertinentes observações sobre a arte da escrita de género, desta feita assinado por Richard Curtis, renomado agente literário e especialista em matérias editoriais.

A revista electrónica pode ser descarregada aqui, ou directamente do site da editora.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A BANG! estoura de novo


Como já antes tinha referido, a BANG!#4 já está nas bancas. Que é como quem diz, já pode ser descarregada gratuitamente, aqui ou na página da Saída de Emergência. Desta feita são 104 páginas, com ensaio e ficção, por autores tão variados como Luís Filipe Silva, João Barreiros, António de Macedo, Miguel Garcia, Edgar Allan Poe e muitos outros. Não há, portanto, o risco de esta centena de páginas saber a pouco pela ausência da primeira parte do meu seriado, Zeppelins Sobre Lisboa (não desesperem, o próximo número está agendado para daqui a pouco mais de um mês).

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

BANG!: O Regresso


Com excepção das cada vez mais numerosas antologias de autores portugueses na área do Fantástico (nada menos que cinco, entre Novembro de 2006 e Janeiro de 2008) o mercado nacional de ficção curta é praticamente inexistente, confinando-se a fanzines (cada vez mais raros) e e-zines (que cada vez adquirem mais visibilidade). A mais recente experiência de fôlego foi a revista BANG!, dirigida por Rogério Ribeiro e editada pela Saída de Emergência, da qual surgiram 3 números (#0 a #2) entre 2005 e 2006.

A revista, infelizmente, não correspondeu às exectativas, quer da Editora, quer dos leitores, tendo sido rapidamente descontinuada. No entanto, no dealbar deste novo ano, eis que a BANG! reaparece, desta feita em formato digital e gratuito, com capa de encher o olho e conteúdos apetitosos, prometendo uma aposta forte na ficção e não-ficção nacional na área da literatura de género.

Este primeiro número (#3, retomando a numeração da sua progenitotora em suporte de papel), apresenta ficção de João Barreiros, Neil Gaiman, Richard Matheson, Arthur Machen, Vasco Curado e Maria de Menezes, para além de crítica de Safaa Dib, uma avaliação do Fórum Fantástico 2007 por Rogério Ribeiro e entrevistas com George R.R. Martin e Octávio dos Santos (director da antologia A República Nunca Existiu, que chegará às livrarias ainda este mês) . O destaque em não-ficção vai para um extenso ensaio de David Soares que versa sobre o Fantástico na Literatura Portuguesa, área em que tem já créditos firmados.

Luís Corte-Real assina a solo a direcção deste primeiro exemplar digital, sendo que os próximos números serão co-dirigidos com Rogério Ribeiro.

O arranque de 2008 começa assim sob uma égide de optimismo que nos permite criar algumas expectativas quanto a uma melhoria do panorma do Fantástico em relação ao ano anterior.

A BANG!#3 pode ser descarregada directamente da página da Saída de Emergência, onde será disponibilizada ainda hoje.