sexta-feira, 8 de maio de 2009

21 sem Heinlein


Robert A. Heinlein faleceu há precisamente 21 anos, a oito de Maio de 1988. A efeméride em si, não é digna de especial destaque; afinal, não estamos a falar dos redondos 20 anos que se cumpriram no ano transacto, ou do centenário do seu nascimento que se celebrou em 07 de Julho de 2007. Mas este 21 não deixa de ter o seu significado peculiar, no sentido em que praticamente nenhum país do mundo estabelece a maioridade para lá dos 21 anos (apenas me ocorre El Salvador que a fixa nos 25). O que significa que qualquer pessoa que não tenha ainda entrado na maioridade, nunca experimentou o prazer de ter um livro novo de Henlein para ler.

Ainda me recordo das circunstâncias em que pela primeira vez li algo do primeiro Grand Master da ficção científica, mais concretamente a tradução portuguesa de I Will Fear No Evil (1970) no escaldante Verão de 1986. Lembro-me de o ter comprado por não conseguir encontrar um livro do Alistair MacLean de que ia à procura e queria ler algo nesse fim-de-semana. E li-o - todo - sem sair de casa apesar do calor... a não ser para ir procurar mais livros do Heinlein. E que maravilha foram os anos 80, pois ainda era possível encontrar quiosques onde comprar livros aos Domingos, com enormes reservas de velhos Argonautas, em Viana do Castelo (hoje já não existem). Que I Will Fear No Evil não fosse um dos melhores de Heinlein foi apenas mais uma fascinante surpresa... mais um sintoma de que me estava a viciar em Heinlein e, através dele, em FC.

Não voltei a ler esse livro - e ainda não li toda a sua obra, apesar de a ter em casa, devidamente alinhada cronologicamente e complementada por alguns volumes críticos e biografias. Ultimamente, por via do trabalho numa antologia que vai incluir três dos seus contos, voltei a contactar de perto com alguns dos meus títulos favoritos. Alguns, é certo, já não se lêem com o prazer de antes, mas é impossível deixar de reconhecer a presença nas suas páginas do código genético da ficção científica actual.

Visitando hoje as livrarias, já não se encontram frequentemente os seus livros, essencialmente traduzidos para as colecções Argonauta e FC de Bolso da Europa-América, mas com passagem também pela Azul da Caminho. Poucos dos jovens leitores de hoje saberão que durante quase cinquenta anos, de 1939 a 1987, Heinlein foi a força dominante da FC, um género que fez seu e que moldou de forma indelével.

Por isso, e porque 21 anos é demasiado tempo sem Heinlein, aqui no Blade Runner vamos reconstruir, conto a conto, novela a novela, o percurso literário do Homem que nos Vendeu a Lua.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vasco Granja e a FC



Quando publicou este artigo no Diário de 1 de Março de 1987, prosseguindo incansável a sua missão de divulgar coisas novas à juventude, Vasco Granja tinha 62 anos de idade. Até nisso demonstra o empobrecimento cultural deste país no que concerne à divulgação da arte e da cultura popular. Quem temos hoje, nessa faxa etária (com excepção do António de Macedo, que infelizmente não tem uma plataforma que lhe permita chegar a um maior público), capaz de fazer o mesmo?
Obrigado, Vasco Granja.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

RIP Vasco Granja (1925-2009)


Sem que o conhecesse pessoalmente, Vasco Granja deixou-me uma memória tão viva ao longo dos anos - através da RTP onde apresentava os melhores filmes de animação do mundo, na extinta revista TINTIN, onde escrevendo sobre banda desenhada, me ensinou que havia mais para ler nela do que as meras pranchas e os balões - que sempre acreditei que existiria para sempre... que um dia ligaria a televisão e voltaria a ouvir a sua voz inconfundível.

Agora, nunca mais.

Gostava de poder escrever muito mais sobre ele, mas como acontece com tudo o que temos por certo, nunca nos esforçamos por conhecer melhor. Vasco Granja foi único naquilo que fez, e marcou a nossa geração de forma indelével. Acreditem, como ele foi, não há mais nenhum.

domingo, 3 de maio de 2009

Quinze minutos mais tarde...





... dois focos bem identificados, para quem tiver dúvidas de que se trata de fogo-posto. Acabei de ouvir as primeiras sirenas de bombeiros (segundo me disseram da Protecção Civil, a minha foi a primeira chamada). Estes desgraçados é que deviam ganhar o salário do CR7.

Neste preciso momento...



... começa tudo outra vez...

sábado, 2 de maio de 2009

Burn, Baby, Burn




Hoje, da janela de casa, tenho mais uma perspectiva do país dos Cristianos Ronaldos. Depois de uma noite e uma manhã de sossego, por volta das 11, o regresso das chamas. O quadro é dantesco, marcado pelo eterno compromisso entre o fascínio pelas labaredas devoradoras que emergem, aqui e ali, por entre as árvores torturadas, e a desolação carbonizada que se vê crescer onde o fumo esbranquiçado se ergue, meio tonto, do solo calcinado.



O ar está preenchido pelos gritos dos bombeiros, mas é difícil perceber o que dizem sob o estralejar das chamas que se assemelha a um aplauso contínuo, ou a um mar que investe furioso contra uma praia de seixos. De quando em quando percebe-se um grito a pedir água, água, mas de seguida ouve-se uma árvore a expodir com o calor e a atenção é desviada.



Está um calor quase sahariano e, para sul, o céu é de um azul límpido como o dos olhos de uma sueca, mas para os lados do incendêncio parece um dia de Inverno tal é a densidade do fumo. Não vos vou falar do cheiro. O Verão em Portugal cheira sempre a queimado.

E no entanto, um incêndio que dura já há cinco horas, devorando tudo aquilo que sobrou ontem - por sinal, a única área verde "intocada" em todo o Concelho de Caminha - era facilmente derrotado por um único avião de combate a incêndios. Um avião que custa cerca de 3 milhões de Euros.

Infelizmente, vivo no país dos Cristianos Ronaldos, do país que estoura 650 milhões de Euros na organização de um Campeonato Europeu de Futebol, mas que não compra uma modesta frota de aviões de combate a incêndios, apesar de todos os anos encabeçar a vergonhosa estatística de área ardida em toda a Europa. Um país que brinca aos inúteis TGV, que quer construir pontes e aeroportos, que financia autoestradas que não vão dar a lado nenhum (caso do recente prolongamento da A28), e que permite que a hipocritamente baptizada EDP Renováveis destrua o património natural com barragens e ventoínhas de faz de conta, mas pela-se de medo quando se adianta a mais racional hipótese de construção de duas ou três modernas centrais nucleares.

Felizmente para mim, já há muito desisti deste país.

Ele que arda. Burn, Baby, Burn...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Hoje à tarde...










... a vista desde o meu alpendre.

Digam o que disserem, a pena de morte resolvia algumas coisas...