terça-feira, 5 de maio de 2009

Vasco Granja e a FC



Quando publicou este artigo no Diário de 1 de Março de 1987, prosseguindo incansável a sua missão de divulgar coisas novas à juventude, Vasco Granja tinha 62 anos de idade. Até nisso demonstra o empobrecimento cultural deste país no que concerne à divulgação da arte e da cultura popular. Quem temos hoje, nessa faxa etária (com excepção do António de Macedo, que infelizmente não tem uma plataforma que lhe permita chegar a um maior público), capaz de fazer o mesmo?
Obrigado, Vasco Granja.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

RIP Vasco Granja (1925-2009)


Sem que o conhecesse pessoalmente, Vasco Granja deixou-me uma memória tão viva ao longo dos anos - através da RTP onde apresentava os melhores filmes de animação do mundo, na extinta revista TINTIN, onde escrevendo sobre banda desenhada, me ensinou que havia mais para ler nela do que as meras pranchas e os balões - que sempre acreditei que existiria para sempre... que um dia ligaria a televisão e voltaria a ouvir a sua voz inconfundível.

Agora, nunca mais.

Gostava de poder escrever muito mais sobre ele, mas como acontece com tudo o que temos por certo, nunca nos esforçamos por conhecer melhor. Vasco Granja foi único naquilo que fez, e marcou a nossa geração de forma indelével. Acreditem, como ele foi, não há mais nenhum.

domingo, 3 de maio de 2009

Quinze minutos mais tarde...





... dois focos bem identificados, para quem tiver dúvidas de que se trata de fogo-posto. Acabei de ouvir as primeiras sirenas de bombeiros (segundo me disseram da Protecção Civil, a minha foi a primeira chamada). Estes desgraçados é que deviam ganhar o salário do CR7.

Neste preciso momento...



... começa tudo outra vez...

sábado, 2 de maio de 2009

Burn, Baby, Burn




Hoje, da janela de casa, tenho mais uma perspectiva do país dos Cristianos Ronaldos. Depois de uma noite e uma manhã de sossego, por volta das 11, o regresso das chamas. O quadro é dantesco, marcado pelo eterno compromisso entre o fascínio pelas labaredas devoradoras que emergem, aqui e ali, por entre as árvores torturadas, e a desolação carbonizada que se vê crescer onde o fumo esbranquiçado se ergue, meio tonto, do solo calcinado.



O ar está preenchido pelos gritos dos bombeiros, mas é difícil perceber o que dizem sob o estralejar das chamas que se assemelha a um aplauso contínuo, ou a um mar que investe furioso contra uma praia de seixos. De quando em quando percebe-se um grito a pedir água, água, mas de seguida ouve-se uma árvore a expodir com o calor e a atenção é desviada.



Está um calor quase sahariano e, para sul, o céu é de um azul límpido como o dos olhos de uma sueca, mas para os lados do incendêncio parece um dia de Inverno tal é a densidade do fumo. Não vos vou falar do cheiro. O Verão em Portugal cheira sempre a queimado.

E no entanto, um incêndio que dura já há cinco horas, devorando tudo aquilo que sobrou ontem - por sinal, a única área verde "intocada" em todo o Concelho de Caminha - era facilmente derrotado por um único avião de combate a incêndios. Um avião que custa cerca de 3 milhões de Euros.

Infelizmente, vivo no país dos Cristianos Ronaldos, do país que estoura 650 milhões de Euros na organização de um Campeonato Europeu de Futebol, mas que não compra uma modesta frota de aviões de combate a incêndios, apesar de todos os anos encabeçar a vergonhosa estatística de área ardida em toda a Europa. Um país que brinca aos inúteis TGV, que quer construir pontes e aeroportos, que financia autoestradas que não vão dar a lado nenhum (caso do recente prolongamento da A28), e que permite que a hipocritamente baptizada EDP Renováveis destrua o património natural com barragens e ventoínhas de faz de conta, mas pela-se de medo quando se adianta a mais racional hipótese de construção de duas ou três modernas centrais nucleares.

Felizmente para mim, já há muito desisti deste país.

Ele que arda. Burn, Baby, Burn...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Hoje à tarde...










... a vista desde o meu alpendre.

Digam o que disserem, a pena de morte resolvia algumas coisas...

domingo, 26 de abril de 2009

O Futuro foi ontem...



Houve um breve período histórico, um verdadeiro piscar de olhos na escala cósmica das coisas, em que foi possível apontar o dedo ao Futuro. Durante esse período - uma escassa década, transplantada do século XXI para o século XX, nas palavras de um dos 12 Moonwalkers - o Futuro foi tão palpável quão efémero. Na verdade, e à medida que esse momento se afasta no correr imparável do tempo, cada vez se vai assemelhando mais a um delírio colectivo, uma alucinação lisérgica, uma construção fraudulenta.












Num momento em que a imaginação se fecha sobre si mesma, é quase impossível crer que houve um instante onde era possível olhar para o céu e aguardar pelo erguer luminoso e ribombante de uma nave espacial. Um instante, onde as mais fabulosas fabulosas propostas da ficção científica, foram verdade. Um instante onde era possível confrontar o futuro um pouco por toda a parte. O futuro, porém, já passou. O tempo devolveu-o àquele mais vasto futuro que se aninha numa caixa com o gato de Schrodinger, uma mera probabilidade, cada vez mais incerta, cada vez mais distante. O futuro existiu num passado que já não volta. O futuro foi ontem...