segunda-feira, 4 de maio de 2009

RIP Vasco Granja (1925-2009)


Sem que o conhecesse pessoalmente, Vasco Granja deixou-me uma memória tão viva ao longo dos anos - através da RTP onde apresentava os melhores filmes de animação do mundo, na extinta revista TINTIN, onde escrevendo sobre banda desenhada, me ensinou que havia mais para ler nela do que as meras pranchas e os balões - que sempre acreditei que existiria para sempre... que um dia ligaria a televisão e voltaria a ouvir a sua voz inconfundível.

Agora, nunca mais.

Gostava de poder escrever muito mais sobre ele, mas como acontece com tudo o que temos por certo, nunca nos esforçamos por conhecer melhor. Vasco Granja foi único naquilo que fez, e marcou a nossa geração de forma indelével. Acreditem, como ele foi, não há mais nenhum.

domingo, 3 de maio de 2009

Quinze minutos mais tarde...





... dois focos bem identificados, para quem tiver dúvidas de que se trata de fogo-posto. Acabei de ouvir as primeiras sirenas de bombeiros (segundo me disseram da Protecção Civil, a minha foi a primeira chamada). Estes desgraçados é que deviam ganhar o salário do CR7.

Neste preciso momento...



... começa tudo outra vez...

sábado, 2 de maio de 2009

Burn, Baby, Burn




Hoje, da janela de casa, tenho mais uma perspectiva do país dos Cristianos Ronaldos. Depois de uma noite e uma manhã de sossego, por volta das 11, o regresso das chamas. O quadro é dantesco, marcado pelo eterno compromisso entre o fascínio pelas labaredas devoradoras que emergem, aqui e ali, por entre as árvores torturadas, e a desolação carbonizada que se vê crescer onde o fumo esbranquiçado se ergue, meio tonto, do solo calcinado.



O ar está preenchido pelos gritos dos bombeiros, mas é difícil perceber o que dizem sob o estralejar das chamas que se assemelha a um aplauso contínuo, ou a um mar que investe furioso contra uma praia de seixos. De quando em quando percebe-se um grito a pedir água, água, mas de seguida ouve-se uma árvore a expodir com o calor e a atenção é desviada.



Está um calor quase sahariano e, para sul, o céu é de um azul límpido como o dos olhos de uma sueca, mas para os lados do incendêncio parece um dia de Inverno tal é a densidade do fumo. Não vos vou falar do cheiro. O Verão em Portugal cheira sempre a queimado.

E no entanto, um incêndio que dura já há cinco horas, devorando tudo aquilo que sobrou ontem - por sinal, a única área verde "intocada" em todo o Concelho de Caminha - era facilmente derrotado por um único avião de combate a incêndios. Um avião que custa cerca de 3 milhões de Euros.

Infelizmente, vivo no país dos Cristianos Ronaldos, do país que estoura 650 milhões de Euros na organização de um Campeonato Europeu de Futebol, mas que não compra uma modesta frota de aviões de combate a incêndios, apesar de todos os anos encabeçar a vergonhosa estatística de área ardida em toda a Europa. Um país que brinca aos inúteis TGV, que quer construir pontes e aeroportos, que financia autoestradas que não vão dar a lado nenhum (caso do recente prolongamento da A28), e que permite que a hipocritamente baptizada EDP Renováveis destrua o património natural com barragens e ventoínhas de faz de conta, mas pela-se de medo quando se adianta a mais racional hipótese de construção de duas ou três modernas centrais nucleares.

Felizmente para mim, já há muito desisti deste país.

Ele que arda. Burn, Baby, Burn...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Hoje à tarde...










... a vista desde o meu alpendre.

Digam o que disserem, a pena de morte resolvia algumas coisas...

domingo, 26 de abril de 2009

O Futuro foi ontem...



Houve um breve período histórico, um verdadeiro piscar de olhos na escala cósmica das coisas, em que foi possível apontar o dedo ao Futuro. Durante esse período - uma escassa década, transplantada do século XXI para o século XX, nas palavras de um dos 12 Moonwalkers - o Futuro foi tão palpável quão efémero. Na verdade, e à medida que esse momento se afasta no correr imparável do tempo, cada vez se vai assemelhando mais a um delírio colectivo, uma alucinação lisérgica, uma construção fraudulenta.












Num momento em que a imaginação se fecha sobre si mesma, é quase impossível crer que houve um instante onde era possível olhar para o céu e aguardar pelo erguer luminoso e ribombante de uma nave espacial. Um instante, onde as mais fabulosas fabulosas propostas da ficção científica, foram verdade. Um instante onde era possível confrontar o futuro um pouco por toda a parte. O futuro, porém, já passou. O tempo devolveu-o àquele mais vasto futuro que se aninha numa caixa com o gato de Schrodinger, uma mera probabilidade, cada vez mais incerta, cada vez mais distante. O futuro existiu num passado que já não volta. O futuro foi ontem...

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Círculo de Leibowitz: Prorrogação de Prazo


Ian McDonald é uma das vozes mais relevantes da geração de autores de ficção científica que se começou a destacar na década de 80. As suas obras, subtil mas fortemente marcadas pela situação da Irlanda do Norte, onde cresceu (McDonald vive em Belfast desde 1965), exsudam uma vincada preocupação com os problemas do colonialismo, do confronto de culturas e do choque civilizacional, tanto nas suas compnentes ideológicas, como económicas. O sombrio dos temas - e a violência, física e psicológica, não é escassa naquilo que escreve - é tratado com uma elegância literária que lhe permite ombrear com gigantes como Dan Simmons, Lucius Sheppard ou Jeff VanderMeer, todos eles consumados estilistas e excelentes storytellers. Desde o seu primeiro livro publicado, Desolation Road (1988), McDonald ainda não foi capaz de me desiludir; cada um dos seus livros acrescenta algo aos anteriores, e todos eles fornecem uma utensilagem rica e variada pela qual nos é permitido entrever a luta - quantas vezes surda e incompreensível - dos países subdesenvolvidos. A sua saga dos Chaga - de onde se impõe destacar a sua noveleta Tendeleo's Story (2000) - é um exemplo acabado de como o imaginário e as ferramentas da literatura de antecipação podem ser utilizados com mestria para denunciar uma situação dramática - sem diminuir a sua gravidade, e sem deixar de parte a componente lúdica de uma obra de ficção.

No entanto, analisar uma obra de McDonald, por tudo quanto supra se disse, é uma tarefa tão delicada quanto a da desconstrução da mais delicada das filigranas; exige-se o uso de lupas de relojoeiro, das mais precisas pinças, e da mais viva atenção. RIVER OF GODS (2004) é uma das suas obras mais marcantes e melhor conseguidas, e talvez por isso a atribuição de um mês para a sua leitura tivesse uma compnente hubrística demasiado acentuada. Por isso, para permitir uma melhor análise, e a participação de uma maior número de blogues e leitores, o Círculo de Leibowitz resolveu prolongar o prazo de leitura e de crítica do RIVER OF GODS por mais 30 dias, até 21 de Maio.

Ao longo destes 30 dias, recebemos também inúmeras sugestões de leitores interessados em participar, mas que por um motivo ou outro - com destaque para as exigências profissionais a que todos nós estamos submetidos - não conseguem acompanhar um ritmo tão acelerado de leituras; por isso, é provavel que em breve anunciemos algumas alterações ao funcionamento do Círculo. Por isso, estejam atentos, e mãos à obra!